Flávio Romero Guimarães – Diálogos Silenciosos

Diálogos Silenciosos constrói um tecido literário cuja tessitura é elaborada na teia social onde estão inseridos seus interlocutores.

Flávio Romero Guimarães – Diálogos Silenciosos

O autor de Diálogos Silenciosos nos presenteia com uma temática plural em que podemos perceber a sua fluidez verbal, a sua proficiência de escritura e o seu discurso sempre dialógico, ideológico e reflexivo!

É como se ele fizesse um “mapeamento da alma”, nos convidando a refletir sobre a vida, o amor, a solidão, a felicidade, a finitude da existência, o homem, a natureza, a política, a catarse, a paixão, os sentimentos, a vida acadêmica, o tempo, os sonhos…

Podemos perceber, então, que Diálogos Silenciosos é um “caldeirão heteroglóssico”, onde sob o curso de uma postura crítica, devemos assumir uma atitude hermenêutica que possa educar nosso olhar para mergulhar na profundidade do texto e buscar o discurso silencioso, isto é, o que não é aparente.

Um olhar que queira ver o invisível, vislumbrando a possibilidade de descobrir aspectos relevantes sobre o objeto lido, observado, como nos orienta Ghedin e Franco.

Para tanto, é preciso que nosso olhar volte-se para um complexo processo de leitura em que a percepção e interpretação componham múltiplas representações do mundo. O próprio autor nos incita a refletir sobre o olhar, mostrando no texto “Espelho”, que “os olhos funcionam como a expressão energética do corpo e da alma”.

Na nossa percepção, olhar significa pensar, refletir, que é muito mais que olhar e aceitar passivamente as coisas. Olhar, neste sentido, exige mudança e atitude diante do mundo, que é exatamente o que Flávio expõe em seu texto “Espelho”!

Desta forma, a grande metáfora do diálogo se estabelece nesta criação literária, na composição textual do gênero crônica que “tece a continuidade do gesto humano na tela do tempo”.

Como diz Wellington Pereira, a crônica está presa à fluidez temporal e a cada organização social. Esse gênero textual enuncia os eventos sociais reconhecidos e determinados de acordo com a instituição do tempo.

Flávio tem consciência disto, pois assevera sobre o tempo, na crônica À Beira-Mar: “O tempo exerce sobre a vida um poder incontrolável que subjuga os sonhos e as ilusões, desnudando a frágil condição humana”.

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Ricardo Timm De Souza & Outros (Orgs.) – Walter Benjamin

O livro reúne quarenta das relevantes apresentações realizadas oralmente durante o I Congresso Internacional Walter Benjamin – Barbárie E Memória Ética.

Ricardo Timm De Souza & Outros (Orgs.) – Walter Benjamin: Estética, Política, Literatura, Psicanálise

Ocorreu na PUCRS, Porto Alegre, de 26 a 28 de setembro de 2018, o I Congresso Internacional Walter Benjamin – Barbárie E Memória Ética, promoção do Programa de Pós- Graduação em Filosofia da PUCRS e apoio da Escola de Humanidades da PUCRS, da CAPES, do Instituto Goethe Porto Alegre e do Centro de Estudos Brasileiras e Alemães (CDEA).

O evento revestiu-se de grande sucesso, contando com muitos conferencistas e participantes nacionais e internacionais de grande relevância.

O presente livro reúne em forma de artigos quarenta das relevantes apresentações realizadas oralmente durante o Congresso.

Procurou-se aqui alinhar o material em torno a quatro eixos principais, com a finalidade de facilitar a consulta e abordagem: Política, Estética, Literatura e Psicanálise.

A expectativa dos organizadores é que a presente publicação atinja o máximo de interessados, no Brasil e alhures, dada a crescente importância do pensamento de Walter Benjamin na urgência dos tempos que correm.

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Harold Bloom – O Cânone Ocidental

O crítico literário norte-americano Harold Bloom nos conduz pelo cânone literário ocidental, desde a Bíblia até o século XX.

Harold Bloom – O Cânone Ocidental: Os Grandes Livros E Os Escritores Essenciais De Todos Os Tempos

Harold Bloom é um dos grandes mestres do pensamento literário do século XX. Inevitavelmente, este seu Cânone Ocidental é uma obra plena de conhecimento, repleta de saber e atravessada toda ela por uma extraordinária sensibilidade.

O Cânone Ocidental consubstancia muito do que Harold Bloom publicou ao longo de quase quatro décadas de uma vida dedicada à literatura, tanto no domínio do ensaísmo crítico como no do teórico e, mais intermitente e experimentalmente, ainda no domínio da ficção narrativa.

Aqui estão definitivamente consolidadas, testadas e exemplificadas as suas posições teóricas mais nucleares, nomeadamente quanto ao seu entendimento das relações entre autores em termos de agon ou de luta agonística; quanto à ansiedade da influência que caracteriza a dependência (e o simultâneo desejo de ser diferente) dos escritores em relação aos seus precursores (misprision); quanto às leituras desviantes e interpretações desviantes que cada escritor faz dos seus precursores (misreading e misinterpretation) quanto ao destino irrevogável de cada autor chegar sempre atrasado à cultura, à poesia, à literatura (belatedeness); quanto ao estranhamento (strangeness) das obras de certos autores como um dos principais requisitos para a entrada desses autores no cânone literário; quanto, enfim, à centralidade única, exclusiva e magnificente de Shakespeare no Cânone Ocidental, cujas peças constituem “Os livros e a escola das idades”.

Também a atitude de Bloom face a o trabalho crítico se encontra ampliada
neste livro e, talvez, definitivamente esclarecida.

De fato, este é um livro onde Bloom dá espaço, tempo e ainda mais veracidade ao auto-retrato que escreveu, em 1.982, no Prelúdio do seu The Breaking of the Vessels: “O intérprete, aqui, é um gnóstico judeu, um acadêmico, mas um partido ou uma seita de um só homem, igualmente insatisfeito com os mais antigos e os mais recentes modos de interpretação, igualmente convencido de que, digamos, tanto M. H. Abrams como Jacques Derrida não o ajudam a ler os poemas como poemas.”

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Charlotte Perkins Gilman – Terra Das Mulheres

Publicado pela primeira vez em 1915, Terra das mulheres mostra como seria uma sociedade utópica composta unicamente por mulheres.

Charlotte Perkins Gilman – Terra Das Mulheres

O século XX, especialmente a primeira metade, foi o ambiente histórico propício para a construção de ficções utópicas e distópicas.

Afinal, foi o século que viu o avanço da máquina a vapor ao microchip; proporcionou as imensas mudanças culturais, econômicas e política; vivenciou a polarização entre comunismo e capitalismo, as revoluções; testemunhou o avanço científico, na cura de doenças que antes desafiavam a morte; e as guerras mais sangrentas que a humanidade já deflagrou.

Nesse contexto, resolver ou esgarçar os problemas da sociedade por meio de um esforço imaginativo era o esporte favorito de grandes escritores do período — construir milimetricamente sistemas políticos, econômicos e sociais que questionassem o atual estado das coisas.

O desafio na construção desse tipo de ficção é claro. Não existe utopia totalizante que abarque a diversidade de todas as pessoas, assim como não existe distopia em que as suas regras não agradem uma ou outra alma.

O germe de uma distopia necessariamente dorme dentro de uma utopia e vice-versa, como num símbolo oriental representando o Yin e Yang.

A estrutura dessas narrativas ficcionais utópicas e distópicas se torna, então, fundamentalmente falha, afinal não existe horror absoluto, assim como não existe paraíso absoluto que satisfaça a todos, o que torna Charlotte Perkins Gilman, autora de Terra Das Mulheres, uma ficcionista de coragem ao ousar tocar em um dos temas mais difíceis que o gênero literário pode abordar: a igualdade.

Como não poderia deixar de ser, Terra Das Mulheres, escrito em 1915, é uma utopia firmemente alinhada com o seu tempo, e suas limitações são claras. Para compreendermos melhor essas limitações, recorro ao filósofo italiano Norberto Bobbio. Ele elaborou duas questões pertinentes para pensarmos em igualdade.

A primeira é “Igualdade entre quem?” e a segunda, “Igualdade em relação a quê?”. E Charlotte Perkins Gilman é bem clara ao responder essas perguntas. Igualdade entre homens e mulheres brancos e heterossexuais, e igualdade em relação aos direitos civis nos países urbanizados e ditos de primeiro mundo.

Charlotte Perkins Gilman constrói uma história narrada em primeira pessoa por um personagem masculino, Vandyck Jennings, que em uma expedição exploratória a uma floresta tropical no hemisfério sul encontra, junto com seus companheiros, um país composto exclusivamente de cidadãs, que fundaram uma sociedade racional, asséptica e aparentemente assexuada, onde bebês nascem por geração espontânea, unicamente por meio do desejo das mulheres que lá vivem.

A escolha da autora por um narrador masculino se mostra um recurso interessante. É através de Vandyck e suas observações a respeito da perplexidade de seus camaradas, o doce Jeff e o machão Terry, que as contradições e convenções sociais arbitrárias às quais são submetidas as mulheres de seu país de origem, os Estados Unidos, são reveladas.

A perplexidade das tutoras designadas para guiá-los pelo País das Mulheres, diante dos relatos do que seria uma sociedade com ambos os sexos, é palpável e mostra também a perplexidade da autora — uma mulher de família burguesa e bem-educada — diante das limitações que seu gênero impõe a ela, mesmo estando em uma posição de privilégio, educação e boas relações.

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Alberto Marcos Onate – Ficção E Tempo Na Filosofia De Edmund Husserl Tomo II

Ficção E Tempo Na Filosofia De Edmund Husserl Tomo II prossegue a abordagem do conjunto da obra husserliana a partir dos conceitos de ficção e de tempo.

Alberto Marcos Onate – Ficção E Tempo Na Filosofia De Edmund Husserl Tomo II

Prosseguindo na abordagem do conjunto da obra husserliana a partir dos conceitos de ficção e de tempo, este segundo tomo concentra-se na análise e discussão de dois livros: 1) Ideias para uma fenomenologia pura e uma filosofia fenomenológica 1 – Introdução geral na fenomenologia pura. 2) Lições para uma fenomenologia da consciência interna do tempo.

Se nos textos anteriores o filósofo alemão ainda era comedido na criação conceitual e argumentativa dos seus variados questionamentos e experimentos para pensar os pressupostos fundantes das ciências matemáticas e da lógica, a partir de Ideias I ele não apenas amplia o âmbito de sua investigação à totalidade do conhecimento, como também desenvolve, de maneira paulatina, os principais conceitos e empreitadas metódicas da fenomenologia stricto sensu.

Os estágios básicos da trajetória global de minha abordagem do todo da obra husserliana foram explicitados na Introdução ao primeiro tomo desta obra, publicado pela ediPUCRS no final de 2016.

No que concerne à avaliação dos cenários nacional e internacional das investigações dedicadas ao pensamento husserliano, permanece muito similar à diagnosticada naquela oportunidade.

Dada sua relevância metódica, reproduzo o trecho final daquela Introdução, para realçar que me mantenho inarredável quanto aos princípios condutores de minhas análises: “Logo na sequência, o pensador alemão assevera de maneira lapidar: ‘Em todo caso, dedicar a uma doutrina menos estudo do que o necessário para captar o sentido e, ainda assim, criticá-la, contraria as leis eternas da probidade literária.’

Infelizmente, o panorama global dos comentários sobre Husserl, bem como acerca de outros pensadores, mostra que a grande maioria dos intérpretes descura da exigência capital antes referida.

Isto implica, de modo quase inevitável, na construção de moinhos de vento filosóficos, a serem desmontados ou reconstruídos de maneira displicente e irresponsável, num contínuo e multifacetado exercício quixotesco, que é aceitável, e até louvável, na literatura, mas não na filosofia. Se tal procedimento dignifica a primeira, banaliza a segunda.