Beatriz Rodrigues Morais & Outros (Orgs.) – Sobre O Que Não Há: O Zero, O Vazio E O Vácuo
“Nada vem do nada”, disse Epicuro. O que disse mesmo Epicuro? Que “o nada” teve sus origem “no nada”? Ou que “o nada” não pode ter sua origem “no nada”? Eis aí uma reflexão e tanto!
Em seu polêmico artigo “Sobre o que há”, Quine formula de maneira simples e direta uma questão de derradeira complexidade, expressa aqui sem rodeios, a saber: O que realmente existe em todo universo?
Ao propor um problema ontológico dessa monta, nessas bases, quase que despreocupadamente, Quine acabou por gerar uma rede intrincada de contradições dadas as respostas possíveis.
Existe tudo, existe de tudo uma parte ou um pouco e por mais incrível que possa parecer, nada existe! Todas, são respostas plausíveis, mas aí está o problema.
Para começar, seria possível estabelecer algum tipo de compromisso ontológico com o que existe? Colocando o problema sob outra luz, dizer que uma coisa é diferente da outra, é dizer também que uma das coisas existe e a outra não?
Toma-se como exemplo dois tipos de chaves de fenda, com duas pontas diferentes.
Uma servirá para apertar um determinado tipo de parafuso, parafuso tipo ‘a’, e a outra um outro tipo, parafuso tipo ‘b’. Poderia haver algum tipo de entendimento do tipo “a chave de fenda que aperta o parafuso do tipo ‘a’ não existirá para o parafuso do tipo ‘b’.
Aristóteles, por exemplo, foi um deles, com sua ideia de causa final, isto é, as coisas tem que ter um propósito para sua própria existência.
Uma outra questão interessante que envolve o “nada” é “Como seria possível falar daquilo que não existe?” De acordo com Quine é possível admitir a existência de certas categorias de coisas, por exemplo, seres mitológicos. Vou tomar a liberdade de utilizar como exemplo o meu favorito: o “grifo”.
Esse ser seria um híbrido, composto de partes de vários animais, de várias espécies. Os gregos antigos acreditavam que o “grifo” colocaria ovos de ouro, em ninhos de ouro.
Particularmente, consegue-se pensar nele com certa facilidade, capturando imagens reais do mundo real para formá-lo, sem precisar atribuir sua existência completa, física, ao mundo real.
Os seres mitológicos transitam perfeitamente bem nas mentes humanas. O “grifo” pode muito bem existir em uma obra de arte, por exemplo. Colocando a questão de outro modo, o grifo existiria enquanto uma ideia e isto está perfeitamente de acordo com a resposta “existe tudo”, já que uma ideia faz parte do tudo.
Todavia, Quine deixa claro em seu texto que não gosta muito dessa solução, visto que o “grifo” não se encontra no espaço-tempo, ou seja, no mundo físico.
Esse é o ponto de partida. O estudo de três coisas que, a principio representam o nada, o não-ser, a não-existência, como preferir, é, no mínimo instigante. Trata-se de um desafio.

 

Camisa Pessoa

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