Barbara Valle Horvat – Ruínas Do Feminino Em Walter Benjamin

Refletir sobre o tema do feminino na filosofia se mostra muito mais complicado do que a primeira vista parece. Primeiro que apesar de muitos filósofos discutirem sobre o tema, eles o desenvolveram nas suas obras “menores” da sua carreira, ou então, quando encontramos em uma de suas obras mais conceituadas o tema não ganha importância, ou no máximo é tratado em segundo plano.
Muitas vezes são escritos que não aparecem no cânone central e dito principal da filosofia acadêmica. Para exemplificar esta situação poderíamos citar os textos de Platão que retratavam Diotima, como Rousseau, na sua obra “Emilio” e Kant que faz uma apologia ao “belo sexo” no séc. XVIII, e até nos contemporâneos como Benjamin, na prostituta.
Neles a mulher, o feminino e suas figuras, os gestos, as coisas que as mulheres fazem ou como elas fazem, estão presentes, ora de maneira explícita, ora nas entrelinhas de suas reflexões. Segundo, que este tema, para a corrente filosófica que se auto-define enquanto “busca de um conhecimento universal”, não encontra uma considerável aceitação, visto que não é um problema “universal”, mas sim “particular”.
Aliás, a questão do “universal” estará na base da filosofia de todos pensadores. No entanto, quando se trata da questão de gênero ela não é tão universal assim quanto se pretende. Ora, excluir a metade feminina da autonomia moral se mostra aos olhos de hoje no mínimo uma séria contradição aos seus preceitos filosóficos que buscam o universal.
Portanto, a importância de se estudar este tema na filosofia, a nosso ver, não é somente a de pontuar um lugar excludente de gênero pelo sexo, isto é pelo corpo e pelas marcas que trazemos nele. Mas sim, de tentar mostrar por outro lado, a contribuição, que poderá ser positiva, da filosofia na investigação sobre construção de uma subjetividade, de um conceito e até de uma imagem do feminino. Ou seja, o que a filosofia tem a acrescentar na construção e na elaboração através da história, no feminino.

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