Augusto De Carvalho & Outros (Orgs.) – Sete Ensaios Sobre História E Existência
Este livro é sobre o tornar-se. Quem se torna? O que se torna? Como se torna? Ou melhor, por que se torna?

Certa feita, o escritor mineiro João Guimarães Rosa nos lembrou “que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam”.

O que está em jogo nesta passagem de Guimarães Rosa é a ideia de que ser humano é, fundamentalmente, estar numa condição de inacabamento e indeterminação, de tal maneira que o vir a ser conforma uma dimensão essencial de sua própria realização.

Para dar conta dessa ideia de ser e de humano, lançamos mão do conceito de existência, e a partir dele vamos refletir sobre o enraizamento ontológico do fenômeno histórico, buscando também explorar algumas possibilidades para a tarefa de pensar a história.

Como é sabido, “existência” é um conceito específico da história da filosofia ocidental. Não nos ocuparemos de apresentar uma síntese histórica de sua constituição semântica, mas apenas demarcar alguns aspectos que mais nos interessam.

Inspirados nas filosofias da existência, reservamos o termo para designar o modo de ser próprio do humano. Isso porque, etimologicamente, ex-sistere indica um movimento para fora, uma projeção para as possibilidades de ser, as quais se abrem na variedade das situações e no horizonte de sua finitude.

Por definição, as situações são dadas, elas são os limites da nossa existência enquanto facticidade. Quando falamos em limite, reivindicamos o seu significado mais positivo, ou seja, como o horizonte que abre as possibilidades do sentido.

Ser em situação significa, portanto, estar sempre limitado, fato que demarca de uma só vez a finitude e a historicidade do existir humano. Sendo a nossa própria situação, tornamo-nos quem nós somos.
Movimento, projeção, (re)estruturação, facticidade, situação, extensão, finitude. Essas são algumas palavras que compõem a constelação de significados que gravitam em torno de “existência”.

O leitor mais atento terá notado que esses termos apresentam um índice temporal que fazem distinguir esse conceito de outros correlatos – como “essência” ou “substância”. Mais ainda, a temporalidade configura o horizonte de manifestação de seu sentido mais próprio.

Esta tese está no fundamento da obra magna de Martin Heidegger, Ser e Tempo, que operou uma radical temporalização do ser, revolucionando a filosofia.

 

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