Augusto De Campos & Outros – Mallarmé
Nesta antologia bilíngue apresenta-se parte substancial de sua obra poética. Alguns dos principais sonetos e peças curtas; o Fauno; o poema-constelar Um Lance de Dados, matriz de toda poesia de vanguarda.
Traduções criativas, instigantes ensaios críticos, e uma separata com o texto francês do poema Um Coup de Dês tornam esta edição de Mallarmé – o Dante da Idade Industrial uma obra obrigatória para o estudioso e o apreciador da linguagem da poesia como expressão do homem – moderno e de todos os tempos.
Não há praticamente nenhum artigo do grupo em que não figure o nome do poeta. No “Plano-piloto para a poesia concreta”, eles indicam seus precursores. O primeiro é Mallarmé (Coup de dés) segundo os autores, “o primeiro salto qualitativo: subdivisions prismatiques de l’idée; espaços (blanc) e recursos tipográficos como elementos substantivos da composição”.
Três anos antes, em “A obra de arte aberta”, após apontar como “eixos radiais as obras de Mallarmé (Coup de dés), Joyce, Pound e Cummings”, Haroldo detalha os motivos que o levam a considerar o poema-constelação de Mallarmé um texto tão emblemático e fundador para o movimento concretista:
A concepção de estrutura pluridividida ou capilarizada que caracteriza o poema-constelação mallarmeano, liquidando a noção de desenvolvimento linear seccionado em pricípio-meio-fim, em prol de uma organização circular da matéria poética, torna perempta toda relojoaria rítmica […] que se apóie no hábito metrificante.
É a nova concepção rítmica do texto mallarmeano que chama a atenção de Haroldo, sua ruptura com a linearidade sintagmática que se dá pela disposição tipográfica.
A composição mallarmaica também se destaca, para Haroldo, pela sua regulação. Em “Da fenomenologia da composição à matemática da composição”, de 1957, Campos precisa: “A poesia concreta caminha para a rejeição da estrutura orgânica em prol de uma estrutura matemática (ou quase-matemática)”.
Essa poesia da matéria e da matemática seria, segundo Campos, plenamente desenvolvida pelos concretistas.
É o que afirma, em 1997, no seu artigo “Linhagem de Mallarmé no Brasil” quando destaca que o movimento concretista, com sua radicalização “verbo-voco-visual”, chegou ao esgotamento do campo possível.

 

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