História E Tradução Em Walter Benjamin – O seguinte trabalho pretende tratar do conhecimento em geral e se deter na análise de um conhecimento específico, o histórico. Para tanto, a pesquisa se desdobra discutindo a obra do pensador judeo-alemão Walter Benjamin. O conhecimento em geral, segundo Walter Benjamin, seria fruto de uma experiência estética; estética, porque nos sentidos humanos residiria a origem de qualquer experiência e ela geraria conhecimento porque os objetos, de acordo com o autor, dialogam com o sujeito, assim como o sujeito dialoga com os objetos, sendo a linguagem o seu meio de comunicação.
Benjamin, como se entende aqui, retira o objeto de uma postura passiva diante de um sujeito para dar-lhes um sentido ativo, e o faz imputando à experiência do conhecer uma dialética própria, em que atuam, de fato, a linguagem nomeadora humana e a linguagem muda dos objetos.
Benjamin chama a atenção em “Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem do homem”, “A tarefa do tradutor” e no “Prefácio epistemo-crítico” para o seguinte fato: a linguagem é a origem do conhecimento, e a potencialidade criativa da linguagem se anuncia, precisamente, em sua natureza imediata, qual seja, a tradução.
A tradução, sua possibilidade, seria o indício de uma série de procedimentos para se atingir o conhecimento de modo autêntico, que, para Benjamin, não se representa em um sistema, mas se apresenta obedecendo à sua natureza histórica em função de uma virtude própria ao conceito de verdade benjaminiano, a atualização. A tradução, segundo Benjamin, guarda um método que potencialmente toca a verdade em seu caráter imediato, o fragmentário.
E a busca pelo conhecimento através da observação da tarefa do tradutor dirige o olhar à outra tarefa que Benjamin trabalha em seu derradeiro texto: a tarefa do historiador.
O conhecimento histórico não estaria fora dos limites da verdade fragmentária, ele seria, ao contrário, sua máxima testemunha. O objeto mudo sobre o qual o historiador se debruça, o passado, como sugerido, seria ativo no processo de conhecimento.
O passado dirigir-se-ia ao historiador a partir de seu índice material, a marca ou o vestígio. O índice material que pertencente ao passado afetaria o historiador e se atualizaria, pois o passado não seria algo sem forma, cuja forma seria dada pelo historiador; antes, o historiador seria aquele quem se dedicaria à transcriação de certa forma do passado que se apresenta como tal.
A construção do passado dar-se-ia, então, por meio de uma dialética duplamente ativa, própria ao movimento do conhecimento dito autêntico por Benjamin – especificidade, sendo o conhecimento do passado a transcriação de uma forma, que lembraria o movimento próprio à tradução.

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