Antonin Artaud – A Perda De Si
Depois de A aventura do estilo – Ensaios e Correspondências de Henry James e Robert Louis Stevenson, o segundo livro da coleção Marginália, dedicada a textos pouco conhecidos de grandes escritores modernos, apresenta pela primeira vez ao leitor brasileiro uma seleção abrangente das cartas do francês Antonin Artaud (1896-1948), um dos mais influentes artistas e pensadores do século XX, escritas em diferentes momentos de sua vida a amigos como Anaïs Nin, André Breton, Jacques Rivière e outros.
Organizado pela professora da PUC-Rio Ana Kiffer, A Perda De Si revela, por meio dessa correspondência rica em reflexões sobre teatro, literatura, marxismo e psicanálise, entre outros temas, a gênese e as transformações do pensamento de Artaud, um dos grandes renovadores da dramaturgia do século XX, que influenciou não só nomes ligados ao teatro, como Peter Brook e José Celso Martinez Corrêa, mas também escritores do movimento beat e intelectuais como Gilles Deleuze e Jacques Derrida.
Artaud foi sempre um autor bastante comentado, seu nome até certo ponto ainda hoje provoca algum tipo de “barulho”, mas, valeria notar, e esse é também o esforço dessa publicação, que ele foi, efetivamente, um escritor muito pouco lido, e muito pouco integrado nas grandes exposições que se destinavam a mostrar as vanguardas europeias do século XX.
Esse fenômeno não acontece apenas no Brasil, mas também em seu próprio país, a França, se poderia dizer que sua obra continua um tanto marginal e pouco conhecida.
Sabemos que Artaud encarna o mito do poeta louco e genial, que sua obra é cheia de blasfêmias contra o status quo reinante da burguesia, dos partidos políticos e da igreja da época, a maldição passa a ser um aspecto tomado e retomado por sua escrita, de maneira que maldizer e dizer mal confundem-se incessantemente, como o leitor poderá notar aqui.
Desde o início de sua vida literária, quando integra o grupo surrealista e assina diversos manifestos, ou mesmo em sua correspondência com Jacques Rivière, quando Artaud chama para si a encarnação do próprio mal e do sofrimento que o acometem, ele de alguma maneira traça e sustenta essa verve maldita que acabaria por marginalizá-lo.

 

Camisa Digitalizado

Deixe uma resposta