André Luis Rosa Ribeiro – Família, Poder E Mito: O Município De S. Jorge De Ilhéus (1880-1912)
O presente trabalho de pesquisa privilegia o estudo e os mecanismos de poder por ela engendrados na sociedade ilheense no período de transição entre a monarquia e o regime republicano.
Acentua-se o interesse devido ao contexto regional e local durante a fase de consolidação da lavoura cacaueira, figurando a sua produção entre as principais, na pauta de exportações da Bahia.
A família, como estrutura de relações de parentesco e de afinidade (casamento e compadrio), prima pela utilização de variados mecanismos para a manutenção dos bens materiais e simbólicos constituintes do seu patrimônio.
A família impõe adaptações sobre a materialidade, de modo a persistir, face à sucessão dos seus membros. A continuidade do patrimônio pressupõe sucessores com direito jus in re, os quais possuem a prerrogativa de impor deveres a todas as pessoas de um grupo.
Na busca pela continuidade do patrimônio e da utilidade familiar através do tempo, estratégias e adaptações são construídas e implementadas como forma de flexibilização dos padrões organizatórios das relações de parentesco e de afinidade.
Os casamentos preferenciais e os casamentos com primos – a endogamia -, são regimes através dos quais o indivíduo contrai matrimônio no interior de sua própria classe, como forma de preservação da identidade grupal ou familiar.
Essas regras formalizadas visam à transmissão de propriedade em um mesmo grupo familiar, mantendo e, ao mesmo tempo, ampliando essas propriedades. As estratégias e transações políticas entre grupos familiares possibilitaram a mobilidade no campo socioeconômico.
Formadas em torno da descendência patrilinear, essas estratégias requerem arranjos particulares, visando à perpetuação da família como um grupo unificado através do sobrenome e da ocupação.
A possibilidade de estudo da família, entendida como um dado cultural e não apenas como um dado econômico, advém das mudanças teórico-metodológicas impostas à historiografia durante o século XX e do surgimento de novas abordagens, fontes e objetos de pesquisa no campo social.
Dessa forma, trouxemos para o nosso trabalho a perspectiva de relacionar a família à noção de territorialidade, de pertencimento sociocultural a um grupo de origem, com localização territorial específica.
O enfoque do estudo baseia-se nas práticas sociais desenvolvidas pela família no município de São Jorge dos Ilhéus, vinculadas ao poder e ao território, este último matriz de uma identidade.
A noção de representação está fundamentada nas relações sociais que se exteriorizam através de símbolos e práticas. A exteriorização das práticas e mecanismos de poder são distinguidas nas imagens produzidas e nos símbolos construídos.

 

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