Os Portugueses, esses desconhecidos. Desconhecidos? Sim, pois quem acredita que conhece os portugueses porque tem como vizinho o “português da padaria”, come bacalhau e doces muito açucarados e leu trechos de Camões no colégio, de fato, não os conhece. Sua cultura é sofisticada, a literatura tem nomes como Fernando Pessoa e Saramago e, pasmem, nem todos eles se chamam Manoel, Joaquim ou Maria.
Em Os Portugueses vamos conhecer a riqueza e as contradições desse povo que teve seu apogeu, um longo declínio e agora ressurge com força no mapa do mundo. Trata-se de um povo muito especial. Cinco séculos após ter conectado o Velho Mundo ao Novo, por meio das descobertas, dá por encerrado o ciclo e volta-se para a Europa como opção preferencial. Ao contrário do nosso, é um povo formal, quase cerimonioso, pelo menos nas cidades, talvez para compensar a rusticidade da gente do campo. Usam sua língua como se ainda fossem os únicos donos dela e riem de nosso acento “descansadinho”. Conhecem nossas piadas sobre eles e fazem muitas sobre os brasileiros. Vale a pena conhecer de fato os portugueses neste livro instigante.
A parte I – “O que faz dos portugueses, portugueses” – trata de temas centrais para se entender os personagens. Começa com os relacionamentos contraditórios de Portugal com o Brasil e com os brasileiros. Continua com os traços fundamentais que definem o povo e o país, dos contrastes da terra e de seus habitantes à ligação vital e secular que os portugueses estabeleceram com o mar, o destino associado às navegações. Sua complexa relação com os espanhóis é o tema seguinte, seguido pelos movimentos populacionais que contribuíram decisivamente para a conformação da identidade portuguesa.
A parte II – “Uma história em cinco atos” – é uma viagem pelo tempo. Ela começa antes mesmo de Portugal existir, quando o extremo ocidental da Europa era habitado por populações celtiberas, prolongando-se até os finais do século XIV. Em seguida, aportamos no período que vai da consolidação do Império Colonial ao ocaso dessa era dourada, com a perda da colônia brasileira. Acompanhamos então os portugueses em suas tentativas de sobreviver às perdas territoriais e econômicas, na procura de novos caminhos, passando pela monarquia constitucional, pela Primeira República, pela ditadura salazarista e, finalmente, pela emblemática Revolução dos Cravos, considerada a virada decisiva para Portugal e seu povo.
A partir de então, nem melhor, nem pior: diferente. Observamos com detalhes o processo que converteu a potência atlântica em um “Portugal europeu”, estabelecendo uma nova etapa em que os portugueses não esqueceram do passado, pelo contrário, continuam a ele recorrendo para dar sentido ao seu lugar no mundo. Na recriação de identidades, a lusofonia ganha agora papel de destaque.

Camisa Pessoa

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