Santo Daime e Educação é uma obra que “amplia a interlocução dessa religião com a educação”, como é anunciado na sua própria apresentação.
Santo Daime e Educação é uma obra que “amplia a interlocução dessa religião com a educação”, como é anunciado na sua própria apresentação.

Ana Paula Kahmann & Outros (Orgs.) – Santo Daime E Educação: Narrativas, Diálogos E Experiências

Santo Daime e Educação é uma obra que “amplia a interlocução dessa religião com a educação”, como anunciam na sua própria apresentação, as suas organizadoras e o seu organizador.

Em diálogo, buscam aproximações entre seus grupos de pesquisas e abrem caminhos para que possamos melhor conhecer as interfaces e as experiências entre o Santo Daime e a Educação.

Imediatamente, ao tomar contato com a leitura dos seis capítulos que divulgam nesse trabalho de coletânea, remeto-me a um dos desafios que permanecem presentes em nosso campo: a superação da colonialidade em suas múltiplas dimensões.

Não foram raros os momentos que, também em Grupo de Pesquisa, em especial, com o de “Mediações Pedagógicas e Cidadania”, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), buscamos compreender a complexidade desse processo, sobretudo na relação dialética entre o estar e o vir a ser.

A (des)colonialidade nunca foi tratada por nós como “um simples desfazer as heranças coloniais”, mas sim como um reconhecimento de que tanto as incorporamos como resistimos e criamos alternativas para superá-la.

Dessa forma, a descolonialidade e a descolonização não poderiam realizar-se apenas no campo do saber, mas também do ser e do poder.

E, o que as organizadoras e o organizador desse livro nos oferecem, figura-se também em outra dimensão: a descolonialidade do crer!

Ante a lógica das monoculturas produzidas pelo paradigma da racionalidade dominante, Boaventura de Sousa Santos propõe ecologias e as mesmas compreendidas como “relações não destrutivas entre os agentes que a compõem”.

Num movimento de denúncia e de anúncio, para aproximarmos de Paulo Freire, vamos identificando como as experiências vão sendo produzidas como ausentes pela lógica da monocultura do saber e do seu rigor, da monocultura do tempo linear, da classificação social (e racial, para dialogarmos com Aníbal Quijano e sua perspectiva crítica sobre a realidade latinoamericana), da monocultura da escala dominante que não reconhece a experiência do local e do particular ante o universal, bem como da monocultura do produtivismo, inclusive acadêmico, da lógica capitalista.


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