Alexandre Albagli Oliveira – Estrada De Luz

Estrada De Luz: A História De Brasileiro De Deus – A paisagem brasileira, o homem e as coisas do Brasil, mais particularmente do sertão nordestino, fornecem os elementos básicos da primeira novela do autor. O narrador-personagem Brasileiro de Deus, preso à tragédia do desaparecimento dos pais, tenta vencer ressentimentos, mágoas e rancores, encontrando no amor verdadeiro a sua redenção.
Trata-se de um romance construído em cima da voz de um narrador autodiegético, o qual brinca com o leitor por toda narrativa. Brinca no sentido de jogar com as expectativas de leitura: o narrador dispõe dos “fatos” narrados como bem quer, excitando a curiosidade do leitor, fazendo-o navegar pelas trilhas da narração e inserindo-o no meio de situações de um parágrafo para o outro. A “fala mansa” do narrador nos embala a não largarmos o livro enquanto pudermos continuar a leitura.

Brasileiro de Deus, assim eu me chamo. “Brasileiro” por opção de meu pai, cabra de valor. Sujeito de poucas palavras, privou-me do seu convívio ainda cedo. Meu pai foi, ainda, o que se pode chamar de um homem patriota. Amava o país como se estivesse amando uma mulher. Diziam até que o destemido enfrentou cangaceiro por amor à nação.
Pobre de minha mãe, mulher de hábitos simples e crenças múltiplas, que sofrera, e muito, com a paixão inusitada de meu pai. O complemento “de Deus” foi por gosto dela. A crendice era para a mesma o que a pátria significava para meu pai. Gosto do tamanho do mundo, de dar dó.
Apesar do pouco convívio — na verdade foi quase nenhum —, eles foram um grandioso espelho, exato reflexo.
Uma das minhas importantes estradas de luz.
Por respeito, mais ainda por educação, tenho que reconhecer uma verdade, antes de qualquer pormenor. Minha história foi endeusada por seis mulheres, enredo maior.
Alguns cabras também me foram importantes, não me custa reconhecer. Porém, o próprio velho Chico se encarregou da correção: “as mulheres de tua vida foram as tuas outras almas, tua estrada de luz”. Isto mesmo, sem delongas, seis mulheres: dois xodós, três amores e uma lembrança.

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