Alessandra S. Brandão & Outras (Orgs.) – Cinema, Globalização E Transculturalidade
Cinema, globalização e transculturalidade são palavras que sinalizam modos de se olhar a imagem audiovisual na contemporaneidade em uma dimensão política e cultural, reverberando, portanto, questões relacionadas a nomadismo, trasnacionalidade, porosidade das fronteiras, transitoriedade, des/reterritorializações.
Sabemos que esse contexto favorece, com cada vez mais intensidade, a circulação de pessoas, bens e imagens.
Assim, diante das transformações que essa circulação promove no âmbito não apenas das tecnologias, mas das relações humanas, interessa-nos pensar as (re)configurações dos sensível e das comunidades; pensar de que maneiras o cinema produz imagens desse cenário; e pensar modos de se (re)imaginar a vida, também tomada na dimensão do particular, em seus gestos de singularidade.
Desse modo, consideramos que mais do que operar a partir de formas coagulantes ou monádicas de significação, a transculturalidade nos coloca diante do desafio das subjetividades e das simultaneidades, (con)fundindo, nos (des)encontros das narrativas, a complexidade dos pares familiaridade/estrangeiridade, aqui/lá, dentro/fora, local/global, pertencimento/desenraizamento, comunidade/imunidade.
Os artigos reunidos neste livro discutem as formas como os processos de globalização e seus corolários afetam as construções audiovisuais, sem deixar de reconhecer as forças singularizantes das imagens transculturais que essas obras engendram.
Os textos resultam de pesquisas e discussões realizadas no Seminário Temático Cinema, Globalização, Transculturalidade, que aconteceu durante os Encontros da SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – entre os anos de 2008 e 2011.
São trabalhos que refletem sobre as potências da imagem audiovisual e sobre as forças políticas que dela emergem como linhas de fuga, desafiando discursos apressados de homogeneização e apaziguamento de impulsos de resistência.
Antes, o que predomina nas leituras que aqui se seguem – em suas diversas abordagens analíticas e teóricas – são modos de resistir a tais visões, buscando, a contrapelo, extrair das telas os traços de diferença e estrangeiridade que compõem, de forma intricada, as construções imagéticas da contemporaneidade.

 

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