Falar De Deus: Teologia, Linguagem E Interpretação – A relação entre teologia – ou Deus, fé, religião – e linguagem tem sido objeto de reflexão há muito tempo e por muitos pensadores renomados. Bastaria lembrar aqui o tratamento minucioso e sistemático com que Tomás de Aquino, em sua Suma Teológica, aborda a questão dos “nomes divinos” e da “analogia” da linguagem teológica; ou a defesa da “apófase” (negação) e até do “silêncio” na tradição da teologia negativa, esposada por um Dionísio Areopagita ou Maimônides.
Mais recentemente, autores tão diversos como Karl Barth, Paul Tillich, L. Wittgenstein, D. Z. Phillips, Antony Flew, A. J. Ayer, Rosemary Ruether e William Alston, entre muitos outros, debruçaram-se sobre as (im)possibilidades e limites de se falar de Deus. A relação teologia-linguagem certamente nos remete também para a importante questão da hermenêutica, ou seja, da interpretação. Aí, nomes recentes como P. Ricoeur, C. Geffré e W. Pannenberg, por exemplo, logo nos vêm à mente.
Os textos que foram reunidos em Falar De Deus, querem também contribuir para a reflexão desta questão milenar. Foram todos elaborados a partir de um seminário sobre “Teologia e Linguagem”, ministrado no segundo semestre de 2017, no Programa de Pós-Gradução em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Dois desses textos foram escritos em coautoria com professores desse Programa, mas os autores principais de todos os artigos são doutorandos e mestrandos que cursaram aquele seminário. O resultado não poderia ser mais rico e diversificado – eles abordam desde questões de interpretação, passando por defesas de chaves interpretativas em Karl Barth, Claude Geffré, o método histórico-crítico e o Sensus Fidei, até uma crítica da teologia feminista ao vocabulário teológico e seu uso adequado na cibernética.
Todos os textos de Falar De Deus, entretanto, têm uma coisa em comum: a linguagem e sua relação/aplicação em assuntos teológicos. Com esta obra, objetivamos não somente promover e valorizar a publicação discente dos programas de pós-graduação, como, acima de tudo, compartilhar com um público maior a riqueza das pesquisas efetuadas por nossos doutorandos e mestrandos, num país que tanto carece desta divulgação.

Camisa Guarda-Chuva

Deixe uma resposta