Friedrich Reck-Malleczewen – Diário De Um Desesperado
Entre maio de 1936 e outubro de 1944, o escritor alemão Friedrich Percyval Reck-Malleczewen – também conhecido por Friedrich Reck ou mesmo Fritz Reck – escreveu um diário.
Ou não exatamente um diário, no estrito senso da palavra, pois não existia a preocupação em relatar as atividades cotidianas e tampouco havia registros com frequência definida.
Tratava-se muito mais de um espaço pessoal e secreto de reflexões sobre o estado das coisas na Alemanha durante o período em que o regime nazista ocupou o poder.
Entretanto, como veremos adiante, ele não era isento de uma intenção de vir a ser lido, no futuro, por outras pessoas.
As primeiras entradas analisam o país no tempo em que Hitler era o chanceler do Reich havia pouco mais de três anos, quando não havia ainda a percepção de que uma nova guerra mundial seria inevitável nem mesmo tinha-se como certo que o Partido Nacional-Socialista permaneceria por mais uma década controlando a Alemanha.
No entanto, conforme o Diário avança, o autor vai falando do desânimo que sentia diante da evolução dos fatos. Primeiro são Hitler e os nazistas se consolidando no poder.
Em seguida, a guerra se mostrando cada vez mais próxima. Logo depois, o início do conflito armado, que num piscar de olhos incendiaria a Europa e o mundo.
O Diário, nesse ponto, nos oferece uma visão bastante aguda do período inicial da guerra, em que prevaleceu o entusiasmo cego de boa parte da população alemã com as conquistas militares (do qual, diga-se, Reck jamais compartilhou); em seguida, nos anos intermediários, ele relata a chegada dos bombardeios aéreos aliados, os primeiros reveses militares e as dúvidas crescentes quanto ao futuro; depois, nos anos finais.
O Diário descreve o espírito de seu autor no período em que já prevalecia, para a maioria da população, a certeza da inevitabilidade da derrota. Derrota que Reck por poucas semanas não sobreviveu para presenciar, mas desde muito antes previu e desejou.

 

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