Maria Lacerda De Moura – Civilização: Tronco De Escravos
A humanidade, considerada na espécie, conserva mentalidade rotineira, atrasada, empírica, de todos os tempos, de todos os rebanhos. ainda mais: a civilização sufoca o instinto animal de defesa.
A evolução é individual, e o conservantismo das massas é assegurado pela influência ancestral fossilizado no subconsciente coletivo e pela educação domesticada até o servilismo.
Mas, se o rebanho humano é sempre o mesmo, faminto de pão e divertimentos, guerras e circos, política ou cinema, sedento de prazeres brutais e de gargalhadas sensuais, essa vaga imensa ondulando ao sabor de um Alexandre, Um Amilcar Barca, um Aníbal, um Xerxes, um César, Napoleão, Mussoline, Papa, Dempsey, Turnney, um Chico Bóia, um Rodolfo Valentino, – em compensação a ciência progrediu tanto que deu origem a fantástico desequilíbrio na vida social, posta imediatamente a serviço das perversidades inomináveis, de toda imbecilidade humana.
Descobertas, investigações, os métodos científicos atestam o esforço da elite intelectual. Por outro lado, cientistas se vendem cinicamente ao poder, ao capital, à vaidade das exibições.
E o capitalismo industrializado se apodera de todo esse afã científico, mesmo ainda em embrião, de maneira que canaliza as energias humanas em uma direção única — a luta de competições, a concorrência econômica, o assalto ás posições já ocupadas, o nacionalismo e, consequentemente, as guerras.
Todo o gênero humano vive para a cumplicidade brutal da prostituição sob todos os aspectos, pois que a organização social capitalista não passa de um vasto bordel em que se compram e vendem todos os sentimentos e as mais nobres aspirações, o Amor e a Consciência, as mais altas manifestações da Vida humana.
E toda a humanidade, em tempo de paz como em tempo de guerra, vive, trabalha, luta pela cumplicidade que leva os humanos a se estraçalharem ferozmente nos campos de batalha.
E, enquanto nas Igrejas se prega o “Amai-vos uns aos outros”, e se lembra o “Não matarás”, sacerdotes patriotas abençoam a aviões, couraçados e bandeiras, na França contra a Alemanha, na Alemanha contra a França, na Itália, na Bélgica ou na Áustria, em nome do mesmo Jeová terrível, em nome do Deus sanguinário de todos os exércitos, das pátrias exclusivistas e do chauvinismo cristão.

 

Camisa Abraço De Livro

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