Itinerário De Pasárgada – Em 1954, já sagrado e consagrado como grande poeta, o quase setentão Manuel Bandeira voltou os olhos para o passado em busca do tempo perdido, de suas experiências e miragens e, em particular, de sua Pasárgada, espécie de palavra mágica que o acompanhou por toda a vida.
A fixação surgiu aos quinze anos, quando o jovem estudante descobriu o nome dessa cidadezinha fundada por Ciro, nas montanhas da Pérsia. A partir dai, durante alguns anos ele viveu em Pasárgada. Mais de vinte anos depois, num momento de depressão e desencanto, uma frase de quase libertação surgiu em sua mente: “Vou me embora pra Pasárgada”.
Símbolo de evasão, de “toda a vida que podia ter sido e que não foi”, como em seu verso famoso, Pasárgada acabou se tornando uma identificação do itinerário da própria vida do poeta. Roteiro de uma vida, revivescência do passado, Itinerário De Pasárgada não e um livro de memórias no sentido tradicional. Franklin de Oliveira observou que se trata da “primeira biografia estritamente literária que se publica no Brasil – historia da formação de uma inteligência poética e não apenas relato de uma vida de poeta”.
Claro que essas duas vertentes se desenvolvem entrançadas, como os fios de um barbante, desde o momento em que Bandeira ganha consciência da vida, lá pelos três anos de idade, e se emociona assistindo a uma corrida de bicicletas. Mais tarde, identificou essa emoção circunstancial com a emoção de natureza artística.
“Desde esse momento, posso dizer que havia descoberto o segredo da poesia, o segredo do meu itinerário em poesia”, confessa. Esse itinerário poético, tal como o roteiro de sua vida, deu muitas voltas, que o memorialista evoca com graça e a insuperável simplicidade de seu estilo, desvendando para o leitor as mil e uma seduções de seu mundo, de sua Pasárgada.

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