Amon: Meu Avô Teria Me Executado – Aos 38 anos de idade, a publicitária alemã Jennifer Teege fez uma descoberta que a deixou chocada: seu avô, que ela não chegou a conhecer, era o infame comandante Amon Göth, do campo de concentração de Plaszow, na Polônia, cujo sadismo se destacou até mesmo em meio à barbárie nazista. Milhões de pessoas conheceram a história do comandante Amon Göth pelo premiado filme “A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg, lançado em 1993. Como esquecer da chocante cena do comandante atirando em prisioneiros de forma aleatória, da sacada de sua residência?
Com a ajuda do jornalista Nikola Sellmair, Jennifer começa uma profunda e dolorosa pesquisa sobre a história da sua família biológica. Passo a passo, a partir da chocante história da sua família, começa uma história de libertação.

O olhar da mulher é o que me parece familiar. Estou na Biblioteca Central de Hamburgo, e tenho nas mãos um livro de capa vermelha que acabo de puxar da prateleira. Na capa, o retrato em preto e branco de uma mulher de meia-idade. Seu olhar é pensativo, um tanto extenuante, desanimado. Os vincos ao lado da boca apontam para baixo. Ela parece infeliz.
Procuro o subtítulo: “A história da vida de Monika Göth, filha do comandante do campo de concentração do filme A lista de Schindler.” Monika Göth! Conheço esse nome. É o nome da minha mãe, que no passado me deixara em um orfanato e que não vejo há muitos anos.
Antigamente, eu também me chamava “Göth”; nasci com esse sobrenome. Escrevi “Jennifer Göth” no meu primeiro caderno escolar — até a minha mãe me entregar para adoção e eu receber o sobrenome dos meus pais adotivos. Na época, eu tinha sete anos.
Por que o nome da minha mãe está neste livro? Analiso a capa. Ao fundo, reconheço por trás da foto da mulher em preto e branco a sombra de um homem de boca aberta com uma metralhadora na mão. Deve ser o comandante do campo de concentração.

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