Sartoris – Lançado pela primeira vez em 1929, o mais realista e menos experimental dos livros de Faulkner, o livro conta a história de uma emblemática família do Mississipi que, após viver a glória no sistema escravocrata, enfrenta as transformações das primeiras décadas do século XX. Uma sucessão de perdas resume a família Sartoris a um pequeno núcleo: tia Jenny, o avô Bayard Velho e o neto Bayard Novo. Todos vivem sob o estigma de dois fantasmas do passado: o Coronel Sartoris, pai de Bayard Velho, e John, irmão gêmeo de Bayard. Em Sartoris é a primeira vez que Faulkner apresenta ao leitor o condado de Yoknapatawpha, um mundo considerado por ele próprio como “apócrifo”, fruto de sua imaginação, mas ao mesmo tempo portador de existência própria. Sartoris é assim considerado um livro chave, de transição na obra do autor.
Tia Jenny, a irmã mais nova do coronel, verdadeira guardiã do passado e também da narrativa, é a mulher que alinhava, com sua memória reiterada e reinventada, as tragédias das gerações (passadas e futuras) dos homens da família – Bayard Velho, filho do coronel, e os dois netos gêmeos, também chamados John e Bayard. Tia Jenny sempre amaldiçoa a família, mas conta sua história tantas vezes a ponto de transformá-la em mito. No livro, os grandes acontecimentos nas vidas dos protagonistas solitários, problemáticos e heroicos são apenas sugeridos, e o que se descortina são suas consequências.
Em Sartoris, William Faulkner começa a estabelecer o estilo que marcaria todos de seus livros posteriores e pelo qual seria consagrado.
O livro trata-se, na verdade, de uma fração de um livro mais longo, nunca publicado, Flags in the dust, recusado por uma dezena de publishers, até que um o aceitou sob a condição de redução no tamanho.Originalmente composto pela trajetória de duas famílias, a solução encontrada foi a exclusão de uma delas, os Benbows, ficando apenas os Sartoris.

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