Maria Célia Veiga França – O Selvagem Como Figura Da Natureza Humana

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O Selvagem Como Figura Da Natureza Humana: O Discurso Da Conquista Americana – A autora apresenta e comenta, em O Selvagem Como Figura Da Natureza Humana, as principais obras publicadas (ou escritas) durante o primeiro século da conquista das Américas. O fio que dirige a leitura e interpretação de textos de cunho tão diferente – relatos de primeira mão, como os de Cristóvão Colombo, Hans Staden ou do menos conhecido Girolamo Benzoni; obras eruditas que reúnem e sistematizam informações de segunda mão, como as de Johann Boemus e Francisco López de Gomara e um verdadeiro tratado teológico, como o de Gines de Sepúlveda – é a pergunta sobre a articulação das diversas imagens dos nativos nelas presentes com a ideia de uma “natureza humana”.
A estratégia de organização da apresentação das obras é a de agrupá-las pela nacionalidade dos autores (italianos, portugueses, alemães, franceses e espanhóis), acrescentando um grupo que a autora chama de “americanos” (um mexicano e um peruano, mestiços ambos). Embora sejam possíveis algumas generalizações (por exemplo, a pergunta pela justificação da conquista é uma constante nos espanhóis), tal critério de classificação funciona, a nosso ver, mais pragmática do que substantivamente, pois há bastante diversidade de visão no seio de um mesmo grupo.
Por exemplo, os espanhóis reúnem visões extremas sobre os nativos das Américas: de um lado está o dominicano Las Casas, grande apologeta da humanidade dos indígenas e inimigo radical da crueldade da colonização; de outro, Cortês e Sepúlveda, que justificam as atrocidades da conquista alegando a “bestialidade” dos indígenas.
Do ponto de vista da contribuição para futuros pesquisadores, a maior virtude de O Selvagem Como Figura Da Natureza Humana é a de reunir um conjunto importante de textos e de autores sobre tema da conquista, alguns de difícil acesso e ainda não traduzidos para o português, a exemplo de Os costumes, leis e usos de todas as gentes de Johann Boemus e as Décadas do Novo Mundo, de Pietro Martyr d’Anghiera.

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