Rastro, Hesitação E Memória: O Tempo Na Poesia De Yves Bonnefoy – Rastro, hesitação e memória. São estas noções de grande alcance para o estudo da literatura em geral e, em particular, para a poesia do século XX. Com elas, Pablo Simpson nos apresenta o primeiro estudo monográfico no Brasil dedicado ao poeta francês Yves Bonnefoy (1923-2016). Trata-se de um busca pelas diversas figurações do tempo numa poesia em que estatuto do tempo é o lugar de sua legitimação e de verdade. Tal busca é o que permite ao autor relacionar, igualmente, uma reflexão sobre o tempo com um conjunto de obras literárias que são convocadas e analisadas ao longo do estudo, como as de Baudelaire, Marcel Proust, Pierre Jean Jouve e Philippe Jaccottet.
Yves Bonnefoy foi um dos poetas franceses mais importantes da segunda metade do século XX. Sua obra poética, que se inicia em 1946 com Traité du pianiste e Le Cœur-espace, pode ser situada, em um primeiro momento, a partir do diálogo com o surrealismo, de que se afastaria em 1947, mas cuja noção de sonho retomou em suas narrativas publicadas a partir dos anos 1970: L’Arrière-pays e Rue Traversière. Situa-se, além disso, face ao existencialismo de Jean Wahl. Leitor de Plotino, Kierkegaard e Léon Chestov, importante crítico de arte e da obra de Baudelaire, além de tradutor de Shakespeare, Yves Bonnefoy traz desde os ensaios de L’Improbable, de 1959, uma preocupação com o que chamaria de “presença” fundamental para a compreensão de seu projeto poético. Ela designaria, muitas vezes, uma oposição ao conceito filosófico e à linguagem. Traria o apelo a uma “realidade obscura”, enigmática. Nesse sentido, a poesia pretenderia uma intuição do absoluto, uma esperança investida de uma vocação ontológica não sem relação com o questionamento heideggeriano.
Este estudo pretende investigar as relações entre poesia e tempo. Há nos poemas de Anti-Platon e Du Mouvement et de l’immobilité de Douve, tanto quanto nos ensaios de L’Improbable, a condenação de um inteligível abstrato em virtude do esquecimento do tempo. A poesia repercutiria uma tensão entre interioridade conceitual e exterioridade. As palavras do poema evocariam um apagamento: rastro, presença ausente. A perda se tornaria a origem da linguagem poética.

    

 

 

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