André Ricardo Salata – A Classe Média Brasileira

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A Classe Média Brasileira: Posição Social E Identidade De Classe – Nos primeiros anos do presente século a sociedade brasileira passou por substantivas e importantes mudanças. Crescimento econômico, distribuição de renda e formalização no mercado de trabalho, entre outros fatores, foram responsáveis por permitir que um grande contingente de indivíduos e famílias alcançassem níveis intermediários de rendimento.
Foi no embalo desse contexto que surgiu a ideia de uma “Nova Classe Média” no Brasil. Com efeito, assistimos, nos últimos anos, a um amplo debate a esse respeito, onde estavam em jogo diferentes maneiras de se interpretar aquelas mudanças, considerando ou não esse crescente estrato intermediário enquanto Classe Média.
Em A Classe Média Brasileira, André Salata procura trazer uma nova abordagem para este debate. Ao focar na dimensão subjetiva da estratificação social, tomando as identidades e percepções de classe como objeto de seu estudo, A Classe Média Brasileira traz uma importante contribuição para a interpretação daquele fenômeno.
Como desses fenômenos que vêm em revoada, de tempos em tempos, a chamada “nova classe média brasileira” provocou um bom número de reações de natureza variada. Os mais otimistas viram nessa movimentação a possibilidade de, finalmente, o Brasil entrar em outro patamar pelo ingresso no mercado de parcela significativa da população, antes, quem sabe, invisível.
Os menos entusiasmados olharam com desconfiança, em parte talvez pela recusa de atribuir ao governo do PT ganho e responsabilidade por um esforço que foi anterior, mas que ficou em evidência no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Os cientistas sociais tentaram se equilibrar entre esses dois polos e, cada um à sua maneira, convidou o espectador para uma viagem menos deslumbrada, quer fosse considerado o otimismo anunciado, quer fossem as avaliações informadas e comprometidas pelas preferências político-partidárias.
A pesquisa se beneficiou claramente do referencial teórico da sociologia contemporânea norte-americana, tendo o propósito de analisar de que maneira esse imenso conjunto de pessoas recém-incluído no que seria uma “nova classe média” brasileira se percebe ou percebe sua inserção. Veem-se como classe média? Veem-se nessa classificação? Entendem como tal sua situação de melhoria? Um traço permanente ao longo da pesquisa (tanto na dimensão quantitativa quanto na qualitativa) foi o reconhecimento pelos entrevistados ou um achado dos dados numéricos de uma ascensão, ainda que venha com frases nem sempre incisivas como estas: “estou melhorzinho”, “agora podemos ter mais conforto”, “agora é melhor”. Uma revelação clara de que o momento presente é melhor que o passado.

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