José Lins Do Rego – Água-Mãe

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Água-Mãe – José Lins do Rego tinha paixão por futebol e, neste romance, o leitor vai saber dos bastidores do jogo, os negócios rendosos, sua política e politicalha. Joca é o personagem principal, saído do interior do Rio de Janeiro, de origem extremamente pobre, acaba conseguindo fama e dinheiro no futebol carioca. A narrativa gira ainda em torno de três famílias de camadas sociais diferentes e seus destinos trágicos.
Com a publicação de Água-Mãe, seu nono romance, José Lins do Rego introduz uma novidade em sua obra, que chama a atenção da crítica — a substituição do cenário nordestino, até então uma constante em seus livros, pela paisagem fluminense da região salineira de Cabo Frio e da lagoa de Araruama, onde ele passou algum tempo a trabalho.
No entanto, esta mudança, apesar das diferenças que aportou em termos geográficos e culturais, não abalou substancialmente o cerne da ficção “zeliniana”, marcado pela presença intensa e inexorável do elemento telúrico, reconhecido, aliás, pelo próprio autor, que afirmou em certa ocasião: “Nada me arreda de ligar a arte à realidade e de arrancar das entranhas da terra a seiva de meus romances ou de minhas ideias. Gosto que me chamem de telúrico.”
Mas não é só o mesmo apego ao telllus, a mesma relação visceral do homem com a sua região, que se acha presente nesse novo romance do autor. Além do regionalismo, que adquire na obra de Zé Lins um caráter especial, uma vez que é centrado no homem e não na pura paisagem, encontram-se aqui também o memorialismo, tão fortemente presente em todos os seus livros anteriores, o lirismo e o coloquialismo de seu estilo fluido e apurado, próximo da oralidade, e o sentido do trágico, ligado ao tema da decadência que envolve a maioria dos personagens.
Situados em um ambiente rural específico e marcados por essa relação entranhada dos personagens com a terra, os romances de Zé Lins deram a sua obra o cunho regionalista com que foi batizada pela crítica, que chegou a ver nela, em momento extremo, a versão literária dos ideais alimentados pelo chamado Grupo do Recife, reunido, a partir de 1926, em torno de Gilberto Freyre. Contudo, se não se pode negar o caráter regionalista da obra zeliniana, é mister, por outro lado, assinalar que o autor transcende com frequência os moldes do regionalismo tradicional ao erigir o homem como pivô de seu universo ficcional.

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