Dyonelio Machado – Os Ratos

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Os Ratos foi publicado em 1935 e rendeu ao gaúcho Dyonelio Machado o primeiro lugar no prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, ao lado de Erico Veríssimo, Marques Rebelo e João Alphonsus de Guimaraens. Em uma década marcada por grandes romances dedicados aos dramas cotidianos da população mais pobre, Dyonelio transformou Naziazeno Barbosa, atormentado protagonista de Os Ratos, em uma das figuras mais marcantes da galeria de personagens desvalidos que povoam a literatura brasileira dos anos 30.
Os Ratos nasceu de um pedido do escritor Erico Verissimo para participar de um concurso literário. Narra um dia na vida de um funcionário público, Naziazeno Barbosa, um cidadão comum que acorda com um sério problema: o leiteiro ameaça cortar-lhe o fornecimento de leite caso ele não pague, na manhã seguinte, a dívida de 53 mil réis. Durante todo o dia, Naziazeno perambula pelo Colégio centro de Porto Alegre em busca de algum dinheiro para saldar a dívida. A trama se passa em aproximadamente vinte e quatro horas e descreve detalhadamente as perspectivas, angústias, esperanças e desilusões do personagem durante este tempo.
É por meio do personagem Naziazeno que Dyonélio Machado transmite sua crítica à sociedade, dominada pela influência do dinheiro, ao mostrar de forma angustiante um drama urbano de incomum verossimilhança com uma parcela da população, à mercê de dívidas, sendo assim obrigados a recorrer a empréstimos e agiotas .
Dyonélio também critica a ineficiência das instituições públicas brasileiras. Em uma passagem da obra, é mencionado que Naziazeno, funcionário público da Divisão de Levantamento de Faturas, não hesita em deixar pelo menos dez meses atrasadas, argumentando que não é um serviço que precisa estar em dia.
Os Ratos é, aparentemente, uma trama simples, trivial. No entanto, a obra relata muito mais que a história de um homem e sua dívida, ao exibir uma crítica social sutil, mas eficiente. Este é o grande feito do livro – induzir à reflexão.
Os Ratos tornou-se uma das obras mais influentes da segunda geração do modernismo no Brasil, e recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. Foi escrito no momento em que se projetava no país a prosa regionalista, de ambientação rural. Segundo a crítica de José Paulo Paes, Dyonélio Machado “se demora na reconstituição minuciosa das pequenas misérias e frustrações do cotidiano”.

   

 

 

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