Mário De Andrade – Contos Novos

Posted on Posted in Literatura Brasileira

Contos Novos – Esta obra foi publicada pela primeira vez postumamente, em 1947, preparada pelos amigos, dois anos após a morte do autor. Contos Novos é fruto de um processo que compreende várias versões de um mesmo texto e se estende por períodos de elaboração que vão de quatro a 18 anos.
A coletânea de Contos Novos traz textos escritos pelo autor ao longo de toda a sua vida. Contos Novos traz desde os primeiros momentos modernistas, movidos pelo entusiasmo do contato com as vanguardas europeias até a maturidade, que dotou o escritor de uma expressão mais contida, passando pela marca nacionalista e pela perspectiva crítica.
Mário de Andrade foi um polígrafo, isto é, praticou diversos gêneros literários, entre eles a poesia, a crônica, o romance e o conto. Neste último, destaca-se o livro Contos Novos, no qual o escritor alcançou resultados excelentes, com alguns contos realmente antológicos, como “Primeiro de Maio” e “O peru de Natal”.
Mário de Andrade foi o principal líder do movimento modernista brasileiro, que começou com a Semana de Arte Moderna de 1922. Soube unir as influências das vanguardas europeias à construção de um projeto de cultura nacional, buscando, assim, modernizar a arte brasileira e romper com a tradição literária, aplicando novos princípios estéticos à expressão de nossa realidade.
Contos Novos é uma síntese dos principais traços do estilo do autor: oralidade, linguagem simples e livre, referências pessoais mais ou menos explícitas, temática do trabalho e da solidão.
As narrativas de Contos Novos podem ser divididas em dois grandes grupos, de acordo com o foco narrativo. Assim, temos quatro contos narrados em primeira pessoa (“Vestida de preto”, “O peru de natal”, “Frederico Paciência” e “Tempo da camisolinha”) e cinco em terceira (“O ladrão”, “Primeiro de maio”, “Atrás da Catedral de Ruão”, “O poço” e “Nelson”).
O traço comum aos contos narrados em primeira pessoa é a presença de um mesmo narrador, Juca. Sua personalidade é formada a partir de experiências marcantes de rejeição e luta contra a repressão. Das primeiras, destaca-se a relação adolescente com a prima Maria de “Vestida de preto”. Das segundas, mais marcantes, os exemplos se sucedem. Entre as imagens da repressão, ganha destaque a figura paterna, que aparece em “Tempo da camisolinha” obrigando o narrador a podar as madeixas – alegoria simples da castração.

Camisa Guarda-Chuva

Deixe uma resposta