João Cabral De Melo Neto – Prosa

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João Cabral De Melo Neto – Prosa – Reunião de textos em prosa de um dos maiores poetas da literatura brasileira. Inclui o famoso ensaio de João Cabral de Melo Neto sobre o pintor catalão Joan Miró, além de suas análises da função moderna da poesia, bem como da produção literária da Geração de 45.
João Cabral De Melo Neto, nosso nunca excessivamente louvado poeta, que conseguiu reunir leitores cultos e jovens despertando para a vida, e tendo ainda uma crítica que o situa entre os maiores poetas da língua portuguesa, em todos os tempos, nunca atribuiu excessiva importância à sua obra em prosa, tendo-se dedicado de corpo e alma à poesia e com ela realizado a crítica que desejava.
Em muitos momentos declarou que se tivesse tido cultura suficiente quando começou sua vida literária, sua opção seria pela crítica e pelo ensaio. No entanto, mais que qualquer outra coisa dá a impressão de que projetos teóricos ou formulação de teorias levam ao conceito e à abstração, ao passo que o fazer poético, além de exigir concisão, objetividade, concretude, podia ser também um meio de criticar a realidade, usar até mesmo o humor negro e a ironia. A poesia brasileira ganhava o poeta anti-lírico, mudando seu rumo, de depoimento sentimental e subjetivista.
Por isso, referindo-se à “função da poesia moderna”, em sua longa fala, ressalta sobretudo a pesquisa formal, cujo melhor exemplo é sua própria obra. Na crítica à geração de 45 é a ausência mesma dessa pesquisa que o incomoda. Os discursos, pelos próprios fins a que se dirigem, não podem deixar de ser sobretudo laudatórios.
Diferente é o livro sobre Miró, com quem conviveu intimamente, desde sua chegada a Barcelona em 47, seu primeiro posto. Com Miró proibido por Franco de expor desde sua volta da França, João Cabral de Melo Neto teve a oportunidade de acompanhar essa fase, a que só ele tinha acesso.
Curiosamente, não fez um livro didático partindo do início figurativo, que culmina com La Masía. Tierra labrada, Paisaje catalán não são apontados como uma espécie de introdução de um processo introspectivo, respectivamente de 1921-22,23-24, época em que Breton lançou o manifesto surrealista.

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