Marcel Proust – Sobre A Leitura & Entrevista Com Céleste Albaret

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Sobre A Leitura & Entrevista Com Céleste Albaret – Entrevista com Céleste Albaret concedida a Sonia Nolasco-Ferreira, publicada originalmente na Revista 80, no inverno de 1983.
“…meus pais pronunciariam cedo demais a frase fatal: ‘Agora, feche seu livro, vamos almoçar’.”
A partir de recordações da infância Marcel Proust traz ao leitor uma série de reflexões sobre o ato de ler. Passando por nomes como Homero, Shakespeare e Racine, o autor de Em busca do tempo perdido explora as relações entre autor e leitor, e revela – a leitura é uma amizade sincera. Publicado originalmente como prefácio de Sésame et les Lyz, de John Ruskin, em 1905, Sobre A Leitura acabou ganhando vida própria e, pelos olhos de um grande leitor, nos mostra o que há de mais maravilhoso no ato de ler. Neste volume o leitor também encontrará um depoimento de Céleste Albaret a jornalista Sonia Nolasco-Ferreira. Céleste cuidou de Proust durante dez anos, até a morte do autor, em 1922, e, mais do que uma governanta, se tornou amiga e confidente de “Monsieur Proust”.
Talvez não haja, em nossa infância, dias que tenhamos vivido mais plenamente do que aqueles que acreditamos ter perdido sem vivê-los, aqueles que passamos na companhia de um livro preferido. Tudo aquilo que, parecia-nos, preenchia-os para os outros e que afastávamos como um obstáculo vulgar a um prazer divino – o jogo para o qual um amigo vinha nos buscar no trecho mais interessante, a abelha ou o raio de sol incômodos que nos forçavam a erguer os olhos da página ou a mudar de lugar, o lanche que nos haviam feito levar e que deixávamos ao nosso lado no banco, intocado, enquanto acima de nossa cabeça o sol perdia a intensidade no céu azul, o jantar para o qual era preciso voltar e durante o qual só pensávamos em subir para terminar, assim que possível, o capítulo interrompido – tudo isso, que a leitura deveria ter-nos permitido perceber apenas como uma inconveniência, ela pelo contrário gravava em nós como uma lembrança tão doce (tão mais preciosa segundo nosso julgamento atual do que aquilo que líamos então com tanto amor) que, se ainda hoje nos acontece de folhear esses livros de antigamente, fazemo-lo como os únicos registros que guardamos dos dias passados e com a esperança de vermos refletidas em suas páginas as moradas e lagunas que não existem mais.

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