História Social Da Língua Nacional – Este livro – texto escrito, impresso – nasceu de um acalorado debate, de falas trocadas no seminário que reuniu pesquisadores vindos de diferentes lugares do Brasil e de diferentes universidades, com diferentes linhas de pesquisa e experiências de trabalho. E, o mais importante talvez, de áreas de formação também distintas, que usualmente têm poucas oportunidades de conversar entre si. O público que nos assistiu era também variado, e isso possibilitou um ambiente bastante estimulante.
Dessas falas, segue agora a versão escrita, um pouco modificada sem dúvida, mas que procura atender a um objetivo principal e simples, que é o de ampliar o diálogo e incentivar novas pesquisas. Houve um tempo em que o historiador era também linguista, escritor e ainda desempenhava outras atividades que se abrigavam na generosa égide da “literatura”.
Se hoje não é mais assim, seria interessante ter alguns desses momentos de interseção e confronto, e essa foi a proposta do seminário: construir redes, em torno do que disse Grimm: nossa língua é também a nossa história.
Não se espere que os textos que se seguem sejam perfeitamente homogêneos na perspectiva teórica. Há algumas controvérsias que o leitor mais atento poderá identificar. Mas, como os debates que se seguiram às falas em geral não estão representados aqui, serão abordados alguns dos mais significativos. A conversa entre as áreas não é para ser pensada como monocórdica, felizmente.
Sobre os africanos e afro-descendentes, por exemplo, as diferentes situações que aqui são elucidadas devem-se menos a teorias ou hipóteses divergentes e mais ao próprio material analisado, e afinal de contas à própria diversidade constitutiva da história vivida, que muitas vezes engana e desafia a história conhecida. O mesmo pode valer para algumas diferenças na análise da nacionalidade linguística do Brasil após a Independência.
A questão das estatísticas mobilizou bastante os pesquisadores e a tabela incluída no texto “Africanos, crioulos e a língua portuguesa” causou controvérsia mais evidente. De um lado, trabalhamos com dados escassos e estimativas que fatalmente sempre serão feitas com os recursos disponíveis. É consenso que seria importante que pudéssemos consolidar parâmetros seguros de informações populacionais, de grupos étnicos e linguísticos, etc. A precisão histórica das categorias empregadas constitui um problema teórico de fundo. Não se pode, por exemplo, confundir “negros”, “africanos” e “escravos”, termos que podem remeter a condições sociais e culturais muito distintas.

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