Elisabeth Roudinesco – A Análise E O Arquivo

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A Análise E O Arquivo reúne três conferências da historiadora e psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco.
A primeira conferência, dedicada ao filósofo Jacques Derrida, explora as consequências do poder do arquivo como fonte histórica. A segunda acompanha o pensamento de Jacques Lacan e retraça a genealogia de seu célebre artigo sobre o estádio do espelho. A terceira aborda criticamente o surgimento, no final do século XX, de um “arquivo de si” – o chamado o culto do narcisismo.
Com a habitual clareza, Roudinesco – cuja voz é cada vez mais ouvida por psicanalistas, historiadores e filósofos contemporâneos – aponta em A Análise E O Arquivo a ambiguidade e o relativismo do arquivo, fazendo um alerta contra a manipulação não só da história da psicanálise, como da história humana.
Escolhi como tema “A análise e o arquivo”, evocando assim numa mesma locução a análise dos textos e o processo do tratamento psicanalítico. A análise e o arquivo, e não a “psicanálise do arquivo” ou o “arquivo da psicanálise”. Embora, numa primeira abordagem, o elo entre as três conferências talvez não seja aparente, existe um fio condutor entre “O poder do arquivo”, “O estádio do espelho” e “O culto de si e as novas formas de sofrimentos psíquicos”.
Se, como veremos, o poder do arquivo é tanto mais forte quanto mais ausente for o arquivo, existe efetivamente um elo entre a primeira e a segunda conferências. Com efeito, a teoria lacaniana do estádio do espelho desenvolveu-se a partir de 1936 fundamentando-se numa conferência cujo conteúdo desapareceu: uma conferência inacessível, retirada por seu autor das atas de um congresso internacional que se realizava em Marienbad. Por conseguinte, esse texto conquistou seu lugar graças aos vestígios por ele deixados no conjunto do corpus lacaniano, isto é, a fragmentos depositados aqui e ali por Lacan, depois reconstituídos pelo historiador, por mim no caso, a partir de depoimentos e notas.
Quanto à questão do culto de si, ela se relaciona ao mesmo tempo com o arquivo e a psicanálise e, mais precisamente, com o surgimento, durante o último quarto do século XX, de um “arquivo de si”, de um culto do narcisismo que põe em primeiro plano, contra e para além do tratamento psicanalítico, uma prática de auto-análise ou de autoterapia, fundada numa valorização da imagem de si.

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