Xavier Greffe – A Economia Artisticamente Criativa

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A Economia Artisticamente Criativa – Xavier Greffe redesenha o surgimento da economia criativa e ilustra as ligações entre cultura e criatividade do ponto de vista individual e comunitário. Além disso, trata das especificidades das empresas artisticamente criativas, das relações entre bens econômicos, bens artísticos e produtos culturais e das articulações dos produtores criativos na organização de territórios culturais ou de redes criativas.
A expressão economia criativa conhece, hoje, grande sucesso. Ela se torna mesmo um termo genérico, abrangendo o que merece ser celebrado e lançando uma sombra sobre tudo aquilo que lhe escapa. Isso parece lógico em uma época apresentada como sociedade do conhecimento, em que a base dos avanços repousa sobre o domínio de uma informação crescente e a capacidade de mobilizá-la para responder a novos desafios.
Assim é que estaríamos nos distanciando de um tempo em que o desenvolvimento baseava-se na posse de matérias-primas para entrarmos em outro marcado pela mobilização de recursos intelectuais imateriais. Essa visão é tanto mais sedutora quanto, escapando ao peso das condições naturais inatas, ela promete chances iguais de desenvolvimento, sejam quais forem os países, sejam quais forem as comunidades.
Essa expressão economia criativa está intimamente ligada à reflexão sobre as artes e a cultura. Desde Max Weber, a cultura é entendida como capaz de contribuir para o desenvolvimento das sociedades, sendo então apresentada como sistema de valores, de representações e de comportamentos, o que vai muito além do campo das artes.
Seu papel é ali percebido, no essencial, a partir da marca das religiões sobre a ética econômica. Em A ética do protestantismo e o espírito do capitalismo, Weber faz uma distinção entre duas éticas econômicas: a do capitalismo tradicional e a do capitalismo moderno, a qual resulta exatamente dos valores instilados pelo protestantismo, quando o trabalho tornou-se um valor em si e até mesmo uma vocação.
Em sua obra Peddlers and Princes, Geertz mostra, entretanto, que a verdadeira alavanca do desenvolvimento não reside na ética, mas na capacidade de organização do meio. Partindo do exemplo de duas cidades da Indonésia com duas religiões diferentes, ele mostra que, em uma economia moderna baseada na empresa como matriz da produção, as capacidades de organização são pelo menos tão importantes quanto os dados éticos.

Camisa Drummond

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