Em Depois Da Teoria, Terry Eagleton, considerado um dos maiores intelectuais de esquerda da atualidade, oferece uma avaliação franca das perdas e ganhos da teoria cultural, rebatendo muitas das críticas comuns contra ela, mas também reivindicando que foi evasiva ou ineficiente a respeito de diversas questões vitais.
Rastreando sua ascensão e queda desde a década de 1960 até os anos 1990, Depois Da Teoria explora os fatores culturais e políticos que a produziram. Com o humor e a verve que lhe são característicos, Eagleton analisa a continuidade harmônica criada entre o intelecto e a vida cotidiana.
“A idade de ouro da teoria cultural há muito já passou”, afirma Eagleton no início de Depois Da Teoria. É hora, enfim, de avaliar suas perdas e seus ganhos. Isso não significa, por outro lado, regressar a uma era pré-teórica, em que se possa pensar o mundo e a cultura de forma inocente, celebrando ingenuamente a beleza da arte e o amor à literatura.
Mas tampouco é possível, sustenta Eagleton, continuar pensando a cultura a partir das mesmas premissas estabelecidas por determinadas vertentes dos estudos culturais e do pós-modernismo.
Nesse sentido, Depois Da Teoria está em consonância com uma forte preocupação nos meios intelectuais nos últimos anos: a sensação de que a teoria (ou a filosofia) não dá conta dos assuntos mais prementes, experimentando um constrangedor sentimento de impotência frente ao fundamentalismo religioso e ao terrorismo crescente.
Os atentados de 11 de setembro de 2001, por exemplo, mobilizaram Jürgen Habermas e Jacques Derrida, pensadores tidos como adversários, a debater conjuntamente soluções para o terror. Pode-se dizer que Depois Da Teoria compreende um movimento similar em torno de uma compreensão do aparentemente incompreensível.
Estruturalmente, Depois Da Teoria é dividido em oito capítulos. Os primeiros quatro são dedicados a um pequeno apanhado histórico da teoria recente (a partir da década de 60), com um balanço crítico de suas “perdas e ganhos” (título do cap. 4). Os quatro demais capítulos pretendem refletir sobre questões fundamentais da história atual sob uma nova perspectiva, como indicam os títulos destes capítulos: “Verdade, virtude e objetividade”, “Moralidade”, “Revolução, fundamentos e fundamentalistas” e “A morte, o mal e o não-ser”.

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