Nelson Werneck Sodré – O Naturalismo No Brasil

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Este Naturalismo No Brasil é livro de caracte­rísticas didáticas no mais amplo sentido de in­formação metódica, didatismo que é essencial à obra de arte como às obras de doutrina.
A matéria se dispõe em círculos concêntricos, a partir de Zola, o núcleo originário de que pro­vém o naturalismo, passando à segunda faixa, representada por Eça de Queiroz, até chegar ao movimento literário nacional, com acréscimos de tendências e elementos da realidade brasileira ao conceito e às técnicas estabelecidas na França e já alteradas pelos autores portugueses.
Minucioso e copiosamente documentado, o tra­balho vem descrevendo e discutindo as causas e reações provocadas pela escola naturalista, si­tuando-a como integrante de um mosaico repre­sentativo das condições econômicas e sociais dos países em que fez o seu aparecimento. Em para­lelo, vem o estudo das modificações e das novas componentes agregadas ao movimento através da estrutura angular: França, Portugal, Brasil. A França no vértice.
Para o leitor de Nelson Werneck Sodré, seria desnecessário anotar que, neste volume, continua presente aquele traço definidor da obra que vem realizando: a conexão e interdependência entre passado e presente, o passado auxiliando a com­preender o presente, a fim de corrigi-lo na me­dida de nossas forças e capacidade. Assim é que o tom polêmico do naturalismo entre nós, denunciando uma influência clerical, os preconcei­tos de raça, constituem uma introspecção válida e fazem lembrar certos aspectos do romance mo­derno quanto à adoção de técnicas aparentadas.
A mesma inflada auto-suficiência ocorrente noséculo XIX, quando se dizia que “não é com alexandrinos que se extrai soda do sal marinho”, e Zola se comparava a um cirurgião, uma vez que a ciência daria a última palavra quanto ao passado e o futuro da humanidade…

Camisa Pessoa

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