David Graeber – Um Projeto De Democracia

Posted on Posted in Ciências Sociais

Um Projeto De Democracia conta a história da resistência do espírito democrático e da adaptabilidade do conceito de democracia, e faz uma defesa apaixonada da ideia de que a democracia radical é, mais do que nunca, nossa melhor esperança.
Em setembro de 2012, com o movimento Occupy Wall Street, que abalou o centro financeiro de Nova York, surgiram centenas de fóruns políticos, nos quais os norte-americanos comuns podiam falar sobre suas preocupações e seus problemas reais, sem necessariamente se basear no discurso dos comentaristas políticos.
Com isso, além de os participantes do Occupy levarem aos políticos demandas e propostas específicas, deram uma amostra do que a verdadeira democracia pode ser, gerando uma crise de legitimidade em todo o sistema.
Em Um Projeto De Democracia, David Graeber, autor de Debt e um dos intelectuais e ativistas mais influentes de sua geração, conduz o leitor a uma jornada pela ideia de democracia, reorientando provocativamente nossa compreensão a respeito de grandes momentos históricos, dos quais extrai lições para os dias atuais.
Diante da concentração cada vez maior da riqueza e do poder, uma democracia reenergizada e reconcebida, baseada no consenso, na igualdade e na ampla participação, ainda pode oferecer a sociedade justa, livre e igualitária que queremos.
David Graeber não é o primeiro antropólogo anarquista, tem pelo menos o antecedente ilustríssimo do inglês Alfred Radcliffe-Brown. Mas a sua ideia de que o sistema representativo das democracias atuais é sobretudo “um modo de guerra coletiva” que deveria ser substituído por formas de deliberação política não partidarizadas, é, como se percebe, um argumento pouco inglês.
Em última instância, faz apelo a uma revolução e esse apelo deixa na dúvida se Graeber meditou o suficiente sobre a crítica da lógica revolucionária feita, por exemplo, em quase tudo o que escreveu Peter Sloterdijk ou num livro tão importante como Tudo O Que É Sólido Se Dissolve No Ar, de Marshall Berman. A revolução enquanto exigência de democracia direta generalizada vive ainda do paradoxo de projetar uma forma de sociedade a que só indiretamente temos acesso. Através de livros, por exemplo.

Camisa Drummond

Deixe uma resposta