Terrorista – Updike traça um panorama da vida dos americanos comuns, com suas pequenas paixões e misérias, ao mesmo tempo em que apresenta um protagonista – um adolescente filho de mãe irlandesa-americana e pai árabe – que se converte ao islã e pouco a pouco vai sendo atraído pelo mundo do terrorismo internacional.
Com sua habitual ironia, Updike faz com que o jovem Ahmad se veja dividido entre dois mentores – Jack Levy, o orientador educacional de sua escola, um judeu nada religioso, que o aconselha a prosseguir os estudos e ingressar na faculdade; e o xeique Rashid, imã da mesquita freqüentada pelo rapaz, um religioso vinculado ao terrorismo internacional, que o alicia para um atentado suicida.
Preocupado com o futuro de Ahmad, um dos melhores alunos da escola, Jack Levy acaba se envolvendo com a mãe dele. A trama amorosa é habilmente entretecida com a lenta preparação do atentado, e o romance culmina numa cena longa, de suspense irresistível, em que Ahmad e seu antigo orientador seguem rumo a um dos principais túneis de Nova York discutindo dentro de um caminhão que contém quatro toneladas de explosivos.
Em sua longa carreira de ficcionista, John Updike tem se notabilizado acima de tudo como o cronista da classe média da Costa Leste dos Estados Unidos, região em que sempre viveu. Sua obra mais famosa — a série iniciada com Coelho corre e encerrada com a novela Coelho se cala — esboça um amplo painel da vida interiorana numa cidadezinha fictícia; a ação tem início nos anos 50 e vai até a virada para o século XXI.
Periodicamente, porém, Updike produz narrativas que transcorrem em mundos muito distantes da realidade americana, como o caótico país africano não especificado de O golpe e o Brasil francamente onírico de Brazil. Em Terrorista, de certa forma o escritor funde pela primeira vez essas duas vertentes de seu trabalho num único livro.
Embora a história se ambiente num subúrbio nova-iorquino, o personagem central — um adolescente de Nova Jersey, de origem árabe — vive entre dois mundos: de um lado, o familiar território updikiano da pequena burguesia americana; do outro, o Oriente Médio que ele jamais conheceu e que o fascina.
Filho de pai egípcio e mãe americana de origem irlandesa, que o criou sozinha depois de ser abandonada pelo marido, Ahmad Ashmawy Mulloy constrói para si próprio, desde garoto, uma identidade islâmica, buscando aproximação com o pai que não chegou a conhecer. Manipulado pelo imã da mesquita que frequenta, pouco a pouco se deixa envolver numa trama que mobilizará o aparato de segurança interna dos Estados Unidos.

   

 

 

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