Ivan Turguêniev – Águas De Primavera

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Águas De Primavera foi escrito por Turguénev entre 1870 e 1871. É a história de Dmítri Sánin, um jovem que se apaixona pela primeira vez quando visita a cidade de Frankfurt. Acaba por vender os seus bens na Rússia para trabalhar na pastelaria da família da sua amada. Mas no decurso de uns negócios, é atraído por uma mulher mais velha e sofisticada.
Em Águas De Primavera, o protagonista, um aristocrata de meia idade solitário e melancólico, recorda certo acontecimento da juventude que marcou definitivamente a sua vida. Após observar velhas cartas e algumas flores secas que restaram de amores dos quais fugiu covardemente (elementos presentes nas suas novelas anteriores), esbarra em uma cruz de granada que o faz relembrar outra história semelhante, mas com consequências mais trágicas para si.
A narrativa se passa na Alemanha e aproxima o jovem aristocrata russo Sánin de uma família italiana radicada em Frankfurt, cujo personagem Pantaleone, um ex-cantor de ópera, velho, aposentado e que vê nos alemães apenas comerciantes ignorantes, guarda uma comicidade excepcional.
É importante observar que o pensamento e a literatura na Rússia entre os anos 1840-1860, desenvolveram-se em estreito vínculo com o Ocidente, não apenas pelo intenso contato com as obras europeias, mas também pela experiência de vida dos escritores russos naqueles países.
A maior parte dos escritores daquela geração atravessou extensivamente a Europa, embora com diferentes objetivos e graus de curiosidade. Para a classe instruída russa, os anos quarenta e cinquenta foram décadas de grandes travessias por terras estrangeiras e de odisseias intelectuais e espirituais através das letras europeias.
Essas jornadas eram consideradas parte da educação do homem cultivado, porque ampliavam os horizontes e reforçavam os valores civilizados adquiridos em suas leituras. Interessava-lhes mais o conhecimento dos costumes estrangeiros, a beleza das paisagens que mudavam sucessivamente, a rica e variada arquitetura, a observação do conforto oferecido pelas sociedades modernas, do que questões propriamente políticas (que serão a motivação da geração seguinte).
A Itália é, provavelmente, o país que mais mereceu a afeição dos membros da intelligentsia russa dessa época, possivelmente por transmitir a impressão de uma atemporalidade que servia de refúgio à cruel realidade política de sua terra natal. Além disso, a Itália era um monumento à arte e ao valor eterno da beleza que Turguêniev tanto defendia, e que surge em suas obras em claro contraste com a rudeza e incivilidade de sua pátria.

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