Paula Fontenelle – Iraque: A Guerra Pelas Mentes

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Iraque: A Guerra Pelas Mentes – Paula Fontenelle examina em profundidade os perigos enfrentados por repórteres durante a cobertura da guerra. Oficiais de soldados envolvidos no apoio logístico de todas as fases da reportagem, das gravações na linha de frente dos combates ao transporte de equipamentos para os pontos de transmissão de satélite.
Repórteres com uniformes militares à prova de bala, dentro de tanques de unidades lançadoras de mísseis teleguiados, sempre estrategicamente longe dos civis, os que mais sofreram com a guerra. Além disso, Iraque: A Guerra Pelas Mentes apresenta depoimentos de sinceridade constrangedora.
Militares britânicos, escalados em postos de comando, admitem serem subjulgados pelos parceiros americanos, que decidiam sozinhos o que divulgar e o que deveria ser escondido do público.

A concepção de Iraque: A Guerra Pelas Mentes teve início em 2003, logo após o término da guerra contra o Iraque. Eu estava finalizando o mestrado em marketing político na Universidade de Greenwich, em Londres, e precisava escolher o tema de minha dissertação. Já havia decidido por um assunto que fosse relacionado com jornalismo; havia, de minha parte, uma grande curiosidade sobre a prática da profissão na Grã-Bretanha.
Queria explorar esse mundo para avaliar as diferenças e as similaridades em relação ao que fazemos no Brasil. Foi quando surgiu a ideia de analisar o conflito do ponto de vista de sua cobertura jornalística.
De início, achei que teria imensas dificuldades em contatar os repórteres, até porque eles eram, em sua maioria, correspondentes de guerra; jornalistas consagrados e de difícil acesso. Para minha surpresa, nada disso se provou verdade. Pelo contrário. As primeiras solicitações de entrevista foram feitas por meio de cartas da universidade, mas foi por intermédio dos próprios repórteres que cheguei a grande parte dos entrevistados. E assim, conheci os principais correspondentes da Grã-Bretanha.
Foi na primeira entrevista que me deparei com o inesperado. Tim Ewart, veterano jornalista do grupo ITN, cujos canais de tevê Channel 4 e ITV News são os principais concorrentes da BBC, contou-me, em alto e bom tom, que os aliados haviam desempenhado um bom trabalho no acompanhamento da mídia; e que em momento algum se sentira manipulado. Como não?
Eu havia estudado exaustivamente a cobertura de diversas guerras, e nos depoimentos dos repórteres só encontrava reclamações sobre censura prévia, perseguição da mídia, falta de liberdade, enfim, críticas de todos os tipos. Insisti no assunto com Ewart, mas ele continuou defendendo os militares. “Comecei pela exceção”, concluí.

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