César Maia Buscacio – Americanismo E Nacionalismo Musicais Na Correspondência De Curt Lange E Camargo Guarnieri

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Fazer dialogar três linguagens distintas, três maneiras de prover sentido ao mundo e uma pertença identitária aos sujeitos: foi este o desafio assumido por Cesar Buscacio, na pesquisa agora publicada na obra Americanismo E Nacionalismo Musicais Na Correspondência De Curt Lange E Camargo Guarnieri (1934-1956).
É possível traduzir o fascínio suscitado pela escuta da arte musical em discursos epistolares ou em conceitos e analogias do saber histórico? A recente produção acadêmica das ciências humanas vem afirmando que sim, embora as dificuldades não sejam pequenas.
É preciso, para que tal intertextualidade seja promovida, superar uma interpretação descritiva dos gêneros ou uma reconstituição biográfica de compositores e intérpretes, buscando perceber como a prática musical abarca a apropriação de variadas tradições de sonoridade e de projetos identitário-culturais, os quais, por sua vez, implicam o exercício de permanentes sociabilidades, a culminarem na dimensão legitimadora das institucionalizações.
Cesar Maia Buscacio é pianista, formado no ano de 1987 pela Escola de Música da UFMG, e, como tal, encontra-se familiarizado com os códigos e o traquejo da linguagem musical. Mais do que conhecê-la, ele a aprecia, aventurando-se por suas múltiplas possibilidades, avantajando-se na ousadia da execução pública de peças musicais ora complexas, ora pouco afinadas com a sensibilidade estética de vários de seus ouvintes, geralmente pouco próxima de algumas das incursões de Cesar pela música contemporânea.
Esta, porém, é apenas uma das facetas do trânsito de Cesar pelo domínio musical, pois ele privilegia, em seu repertório, obras relacionadas à produção brasileira, suscitando, com isto, um misto de pertencimento e estranhamento nos presentes às apresentações, que se reconhecem em compositores e títulos, mas se perdem em harmonias e arranjos…
E então, articulando sons e discursos, discorrendo com persuasão, até com maestria, principalmente após a conclusão do mestrado em Música e Educação pela Uni-Rio em 2003, Cesar introduz alunos e auditório nas diferentes possibilidades de interpretação de tais obras. A música torna-se, dessa maneira, uma geratriz de novas sensibilidades e identidades, a partir do reemprego de antigas referências. Cesar, portanto, conhece e gosta de música, mas também de história.

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