Theodor W. Adorno – As Estrelas Descem À Terra

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O que poderia haver em comum nas previsões de horóscopo do Los Angeles Times da década de 1950, na literatura de Franz Kafka e na música de Stravinsky? Aparentemente não há nada de substancioso que possa atar coisas tão diferentes.
Mas justamente esse “aparentemente” é o empecilho que foi deslocado por Theodor Adorno na sua busca por reconhecer, ler e interpretar a sociedade a partir de elementos como os citados.
As Estrelas Descem À Terra toma por tarefa a explicitação de fenômenos sociais a partir da leitura atenta, no período de novembro de 1952 até fevereiro de 1953, da coluna de astrologia do Los Angeles Times escrita por Caroll Righter.
Diferentemente das grandes obras de arte, a questão não envolve as sutilezas de análise da forma, em que “a referência ao social não deve levar para fora da obra de arte, mas sim levar mais fundo para dentro dela”. Em compensação, a astrologia só pode ser discutida a partir da análise dialética que envolve os textos da coluna e a sociedade. Essa dialética está centrada, sobretudo, no sujeito configurado pela figura do leitor.
O propósito de As Estrelas Descem À Terra não é a astrologia em si, mas a “suscetibilidade” à qual estão sujeitas as pessoas, ou seja, a astrologia é usada como “chave para potencialidades sociais e psicológicas muito mais abrangentes”. A astrologia é vista como “sintoma” de tendências sociais específicas.
Esse propósito implica, no decorrer do estudo, um procedimento de análise que lança mão, de um lado, de conceitos ligados à psicanálise e à psiquiatria e, de outro, de conceitos sociológicos. Mas essas duas perspectivas aparecem dialeticamente relacionadas por meio de um pensamento filosófico que reconhece nos indivíduos as questões sociais, tendo em vista no entanto que “a sociedade é feita daqueles que ela abarca”.

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