Rosemeire Selma Monteiro-Plantin – Fraseologia Vol. I

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Fraseologia Vol. I – Embora os estudos fraseológicos no Brasil estejam consolidados em uma significativa produção científica, as unidades fraseológicas seguem marginalizadas no ensino de língua materna.
A consistência da produção científica nesta área pode ser exemplificada por uma centena de teses de doutorado e dissertações de mestrado dedicadas aos estudos fraseológicos; pela atuação de consistentes grupos de pesquisa em diferentes universidades brasileiras; pela publicação de capítulos de livros e de artigos científicos; pela realização do I Seminário Internacional de Fraseologia, em Brasília, em outubro de 2010, e do I Congresso Brasileiro de Fraseologia, juntamente com o II Congresso Internacional de Fraseologia, também em Brasília, em novembro de 2011, no qual foram apresentados cerca de 120 trabalhos da área; e, até mesmo, pela criação da Associação Brasileira de Fraseologia (2011).
Optamos pela denominação unidades fraseológicas (UFs), para designar as sequências linguísticas que constituem o objeto de estudo da Fraseologia, por considerarmos tal hiperônimo suficiente para abarcar sentenças proverbiais, expressões idiomáticas (EI), pragmatemas e fórmulas situacionais, colocações, locuções fixas, frases feitas, clichês e chavões.
Podemos contar, no Brasil, com consistentes estudos contrastivos dedicados às UFs, ainda que não numerosos. Todavia, carecemos de obras de referência teórica e metodológica que nos auxiliem no ensino/aprendizagem de língua materna, na promoção de uma competência discursiva suficiente para dar conta do nível fraseológico, na recepção e na produção dos mais diferentes discursos.
Essas expressões têm encontrado algum espaço, especialmente no ensino de línguas estrangeiras, talvez por serem de difícil compreensão para os falantes não nativos de uma língua.
O que, provavelmente, dificulta a compreensão direta dessas unidades, aos falantes não nativos, é a sua não composicionalidade semântica, ou seja, o sentido da expressão não decorre da soma do sentido de cada uma das palavras que a constituem.
Se tomarmos como exemplo tomar um chá de cadeira, tomar chá de sumiço, dar uma colher de chá, estar frito, descascar o abacaxi, comer mingau pelas beiradas e ir comer capim pela raiz veremos que tais expressões não se referem ao universo gastronômico brasileiro, como seria possível supor em uma interpretação literal.

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