André Lara Resende – Juros, Moeda E Ortodoxia

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Juros, Moeda E Ortodoxia – Neste conjunto de ensaios, André Lara Resende reflete sobre as origens e o desenvolvimento da teoria monetária e suas implicações no contexto brasileiro. Juros, inflação e política fiscal recebem do autor um enfoque inovador, ancorado nas melhores investigações da atualidade, que põem em questão algumas convicções estabelecidas.
Da teoria à história, os ensaios discutem as políticas comumente receitadas para a inflação crônica, a recessão e o desemprego. Antes de buscar a polêmica fácil ou propor uma “nova heterodoxia”, este livro pretende estimular o debate ao abrir uma janela de oportunidade para a reflexão sobre políticas públicas da mais alta relevância.

Este não é bem o livro que eu pretendia escrever. Meu objetivo, nos dois anos em que estive na Universidade Columbia, em Nova York, era fazer uma revisão crítica das ideias que pautaram a política monetária e o combate à inflação no Brasil.
O ponto de partida seria a controvérsia entre Roberto Simonsen e Eugênio Gudin, no crepúsculo do Estado Novo de Getúlio Vargas, até chegar ao Plano Real. O fio condutor seria a tese de que a teoria monetária predominante, aquela que é ensinada nas grandes escolas de economia, foi sempre incapaz de compreender o fenômeno da inflação crônica.
A tese não é nova. Esse sempre foi o argumento dos teóricos das chamadas inflação estrutural, inflação de custos, ou inflação inercial, as diferentes denominações dadas ao longo de várias décadas para os processos inflacionários crônicos, em que a inflação se mantém acima de dois dígitos ao ano de maneira prolongada, sem regredir aos níveis considerados aceitáveis.
Nova seria a tese de que as tentativas de estabilizar a inflação crônica com base na ortodoxia monetária tiveram custos ainda mais altos do que os conhecidos. Além de recessão e desemprego, terminaram por provocar uma desconfiança atávica em relação ao liberalismo tecnocrático daqueles que tentaram, sem sucesso, estabilizar a inflação. Os custos políticos de longo prazo podem ter sido ainda mais altos do que os econômicos e sociais.
Foi uma nova controvérsia — suscitada a partir da publicação de um artigo meu no jornal Valor Econômico, em janeiro de 2017, acerca de pontos que estão sendo discutidos na fronteira da academia americana e sua relação com a questão das taxas de juros no Brasil — o que me levou a rever a proposta original para o livro.
Ao contrário do que eu imaginava, o apelo da ortodoxia monetária continua tão forte como sempre foi. Dada a evolução da teoria monetária, trata-se agora de uma nova ortodoxia baseada na combinação de metas para a inflação com uma regra para a taxa de juros. Achei que valeria a pena reunir em livro os ensaios sobre a velha ortodoxia e os artigos relativos à polêmica dos juros, que questionam a nova ortodoxia.

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