Ernst Cassirer – Indivíduo E Cosmo Na Filosofia Do Renascimento

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Dirigido a estudantes de várias especialidades literárias, de teoria política, história das religiões e da Reforma e de história da ciência, assim como àqueles interessados na história intelectual em geral, Indivíduo E Cosmo Na Filosofia Do Renascimento é a mais significativa das obras alemãs sobre o Renascimento produzidas na última geração.
A premissa de Hegel, segundo a qual a filosofia de uma época reúne em si a consciência e a essência espiritual de toda uma conjuntura; que nela – entendida como foco natural, como conceito que se conhece a si mesmo – se espelha esse todo multifacetado, parece não se verificar para a filosofia dos primórdios do Renascimento.
A nova vida que se instaura por volta da virada dos sécs. XIII e XIV em todos os domínios do espírito, que cresce com vigor cada vez maior na poesia e nas artes plásticas, na vida política e na realidade histórica e que, ao mesmo tempo, se reconhece e se sente, de forma cada vez mais consciente, como renovação espiritual, parece não encontrar no pensamento da época, ao menos no início, qualquer expressão ou ressonância.
Com efeito, este pensamento de forma alguma está associado às formas genéricas dessa filosofia, mesmo em alguns aspectos pontuais em que ele começa a se libertar das conquistas da filosofia escolástica.
O ataque que Petrarca ousa empreender contra a Escolástica em sua obra De sui ipsius et multorum ignorantia nada mais é do que o testemunho do poder ainda intacto com que essa mesma filosofia domina o tempo. De fato, o princípio que Petrarca opõe à Escolástica e à doutrina de Aristóteles não possui, ele próprio, nem uma origem nem um conteúdo filosóficos.
O que se contrapõe aqui à Escolástica não é um novo método de pensamento, mas sim o novo ideal cultural da “eloquência”. Desse momento em diante, Aristóteles não deve e não pode mais ser visto pura e simplesmente como o mestre do saber, como o representante da “cultura”, pois seus escritos, ao menos da forma como nos têm chegado, não mostram “o menor traço do bem-falar”.
Não é contra o conteúdo dos escritos de Aristóteles, mas contra o seu estilo que se volta a crítica humanista. E, aos poucos, essa crítica acaba por suprimir sua própria premissa. Pois quanto mais se alarga o círculo do conhecimento humanista, e quanto mais refinados e precisos se tomam seus instrumentos científicos, tanto mais a imagem do Aristóteles escolástico empalidece ante à imagem do verdadeiro Aristóteles, obtida a partir das fontes mesmas.

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