Em O Único E A Sua Propriedade, Max Stirner faz uma crítica radicalmente antiautoritária e individualista da sociedade russa contemporânea, bem como à tão citada modernidade da sociedade ocidental.
Oferece ainda um vislumbre da existência humana que descreve a singularidade humana como uma não-entidade criativa além da linguagem e da realidade, ao contrário do que pregava boa parte da tradição filosófica ocidental.
Max Stirner (1806-1856) é um filósofo alemão considerado como precursor do anarcoindividualismo por sua crítica às noções de propriedade e de Estado assim como às de sociedade e de comunidade.
Em O Único E A Sua Propriedade, única obra por ele escrita, Stirner afirma serem falsas as ideias de Deus, verdade, humanidade, Estado, etc., em suma, todas que não a de indivíduo.
Elas seriam apenas abstrações quando confrontadas com a única ideia realmente palpável, também a única causa que devemos defender e a única “lei” a qual devemos nos submeter.
“O sagrado só existe para o egoísta que não se reconhece, para o egoísta involuntário, para aquece que se coloca sempre em primeiro lugar sem, no entanto, se considerar o ser supremo, que só serve a si próprio e ao mesmo tempo pensa servir a um ser superior, que não conhece nada acima de si e todavia anseia por algo de superior ; em suma, para o egoísta que não quer ser egoísta e se rebaixa ‘para poder ser elevado’, que é o mesmo que dizer: para satisfazer seu egoísmo.”
Não existindo mais nada de sagrado, a sociedade passa a ser uma ilusão se não como uma união de egoístas; a propriedade passa a ser volúvel, momentânea e a dizer respeito à apropriação, e os homens, antes criaturas, passam a ser criadores. Livrarmo-nos de nossos ideais, assumirmo-nos egoístas e associarmo-nos uns aos outros assumidamente movidos por interesses pessoais é o que o autor propõe em O Único E A Sua Propriedade.

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