O Anarquismo: Promessas De Liberdade: A história das ideias anarquistas ou libertárias está presente nesta obra, remontando perspectivas de quase dois séculos, e que ainda se colocam como assunto presente.
Luiz Pilla Vares traça os vínculos existentes entre as origens do anarquismo moderno, a Revolução Francesa, o marxismo e as demais teorias socialistas que emergem na turbulência da queda das monarquias e o nascimento das repúblicas.
O Anarquismo passa por Proudhon e por Bakunin, vindo até os movimentos sociais libertários que surgiram na Europa e nos Estados Unidos.
Terá sentido estudarmos hoje, quando estamos quase no século XXI, as ideias anarquistas ou libertárias? Não será um mero exercício acadêmico ou algo semelhante ao médico legista que disseca cadáveres?
Pois afinal de contas o anarquismo e/ou as ideias libertárias tiveram sua origem ainda no século XVIII e seu apogeu, sua idade dourada, no século XIX e nas primeiras décadas do atual.
Não penso assim. Ao contrário, ao longo dos anos, tenho solidificado a opinião de que, mesmo fora dos compêndios filosóficos, as ideias anarquistas se projetaram para o futuro e, mesmo com a deliberada intenção de todas as correntes de pensamento em considerá-las como a mera “infância” do pensamento socialista, sem nenhuma atualidade prática nos tempos atuais, exerceram e continuarão a exercer uma considerável influência nos projetos de transformação social, particularmente a partir de Maio de 1968, quando todas as velhas fórmulas clássicas do fenômeno revolucionário se revelaram insuficientes, ineficazes, para dizer o mínimo.
E, ao contrário, as intuições anarquistas e/ou libertárias acabaram rompendo o bloqueio e revelando-se com uma surpreendente modernidade para o questionamento teórico e prático da sociedade autoritária.
Assim, perspectivas de quase dois séculos, colocadas contra a parede e “enterradas” pela idolatria estatal da esquerda, ressurgiram com impressionante atualidade e hoje podemos falar em Proudhon, Kropotkin, Bakunin, Malatesta, Fabri, na FAL espanhola, sem nos colocarmos na posição de dissecadores de cadáveres e, sim, como estudiosos de um projeto que ficou entre parênteses durante várias décadas e pode hoje ser perfeitamente reassumido como contemporâneo de nosso presente.

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