A dúvida reina no espírito dos homens, pois nossa civilização treme em suas bases. As instituições atuais não mais inspiram confiança e os mais inteligentes compreendem que a industrialização capitalista vai contra os próprios objetivos que diz perseguir.
Este poderia ser o discurso de alguma liderança do bem comportado Greenpeace, ou a fala de algum anarquista ativista de ecologia social do Earth Fire, ou ainda o desabafo frustrado de um ex-candidato à presidência dos EUA em seu documentário sobre os impactos ao ambiente causados pelo capitalismo contemporâneo.
Talvez, inclusive, já que quase todos se tornaram “ambientalistas” de última hora, seja a conclusão filosófica encontrada no último relatório da ONU sobre as mudanças climáticas globais. Nem precisaríamos ir tão longe: hoje em dia, qualquer pessoa medianamente inteligente já compreende a dimensão da catástrofe que se aproxima.
Mas, apesar de toda a sua atualidade, essas palavras sobre o labirinto em que a modernidade capitalista acabou por jogar a vida humana e todas as demais formas de vida sobre o planeta foram o mote inicial com que a ativista anarquista Emma Goldman abriu seu texto O Indivíduo, A Sociedade E O Estado, escrito pouco antes do início da II Guerra Mundial e publicado nesta presente edição.
E poucos sabem disto, pois a riqueza, a intensidade e a atualidade das reflexões de Emma Goldman sobre o ser humano e suas relações em sociedade são praticamente desconhecidas do público brasileiro.
Defesa da liberdade do indívíduo e crítica à submissão ao poder estatal, o texto da anarquista e ativista política Emma Goldman, O Indivíduo, A Sociedade E O Estado, publicado em 1940, foi inspirado em Kropotkin e Malatesta e já antecipava muitas das questões fundamentais do século XX, como a militarização estratégica dos EUA.
Conta com o posfácio do livro My Disillusionment In Russia, livro no qual ela escreve sobre sua volta ao país natal e a decepção com o governo comunista, e O Comunismo não existe na Rússia.

   

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