Alberto Oliva – Anarquismo E Conhecimento

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Pode o pensamento ser submetido a regras rígidas? As tradições empirista e racionalista defendiam o método como o único meio seguro para se chegar à verdade, enquanto para o anarquismo epistemológico ele não passa de um entrave à criatividade.
Anarquismo E Conhecimento situa a discussão e apresenta os argumentos de que o anarquismo lança mão.
À exceção dos poucos problemas que podem receber tratamento objetivo, tudo mais está sujeito à incerteza interpretativa; a muito pouca coisa podem ser aplicados procedimentos de teste e demonstrações lógico-matemáticas; a maioria dos assuntos se mostra bastante suscetível a abordagens impressionistas.
Não por acaso, os temas que mais despertam interesse tendem a se tornar reféns de rígidos esquemas ideológicos e de malabarismos retóricos. Os riscos da algaravia intelectual são grandes. Só que não se justifica desqualificar como insuscetíveis de abordagem racional os problemas do sentido da vida.
O fato de as questões metafísicas serem infensas a tratamento lógico-empírico não é razão para seu banimento. Mesmo se o que se diz sobre elas não produz significado cognitivo, deve ser acolhido como formador de atitudes intelectuais umbilicalmente atreladas a formas de vida.
Não cabe aferir teorias sobre a condição humana à luz de critérios que se aplicam apenas a explicações forjadas para fenômenos que admitem investigação objetiva. Comprovações empíricas e demonstrações lógicas não são panacéias intelectuais. Há domínios do saber, de extrema relevância para a vida pessoal e coletiva, que não têm como a elas recorrer.
Cada ciência lida com um conjunto muito pequeno de problemas. E, dentre os potenciais candidatos, só uns poucos acabam considerados legítimos. Como bem assinala Wittgenstein no Tractatus logico-philosophicus, ainda que a ciência resolvesse todos os seus quebra-cabeças, os problemas da vida permaneceriam intocados.
O que mais o ser humano anseia entender — os segredos que acalenta desvendar sobre si e o mundo — não admite enfoque objetivista. Os dramas pessoais e coletivos não se resolvem com cálculos e experimentos. As perguntas que angustiam o homem não ensejam respostas impessoais expurgadas de sensores e valores.
Ao reconhecer-se como autor, ator ou marionete da história, o agente se credencia a compreendê-la e a julgá-la. Por mais que seja arrastado por forças coletivas, pode sempre se posicionar diante dos rumos dos acontecimentos.

   

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