Shirley Donizete Prado & Outros (Orgs.) – Estudos Socioculturais Em Alimentação E Saúde: Saberes Em Rede Vol. V

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Estudos Socioculturais Em Alimentação E Saúde corresponde ao quinto volume da série Sabor Metrópole, espaço que identificamos como aberto a expressões do pensamento quando se voltam às relações sociais construídas em torno de discursos e práticas alimentares e corporais, tendo a saúde por horizonte último; espaço para reflexões sobre a comunicação quando se dirige à comida e ao corpo, compreendidos na cultura, na sociedade e na história; páginas para receber o olhar atento à produção, necessariamente implicada, de conhecimentos e saberes, socialmente posicionada diante do mundo globalizado e organizada em função do acúmulo de capital material e simbólico.
Estudos Socioculturais Em Alimentação E Saúde é uma coletânea de estudos. São textos que derivam de diversas pesquisas realizadas por docentes, estudantes e profissionais de variadas formações que trabalham em grupos de pesquisa e programas de pós-graduação stricto sensu.
Uma perspectiva que se abre às investigações situadas para além dos limites dos campos disciplinares, mirando aqueles lugares em que também eles se encontram, propiciando um possível entrelaçamento de abordagens conceituais e metodológicas.
Viabiliza, assim, a divulgação de ensaios e de esforços de aproximação ao empírico que buscam, mais que dizer quais práticas estão certas ou erradas, o conhecimento da grande parcela que permanece desconhecida quando se tomam comida e corpo como constructo que nos conferem humanidade.
E, por estarem voltados àquilo que nos confere humanidade, são estudos socioculturais. Consideramos, aqui, as referências presentes em Michel Foucault quando aborda a constituição das ciências humanas. E, por meio desse trilhar, os trabalhos que conformam este livro dizem respeito à organização do trabalho na produção de bens e serviços e na distribuição das riquezas; referem-se à linguagem no registro e na transmissão do conhecimento e saberes; e correspondem a representações, símbolos e valores.
Aqui reside o que permite estabelecer a distinção entre o animal biológico e o ser social, cultural e subjetivo. Hoje, nas ciências da vida, é notável constatar como a biomedicina reina hegemônica, destacando os nutrientes e as funcionalidades celulares, tanto na doença quanto em sua prevenção.
Buscamos aqui considerar o desejo, a ética, os valores, a justiça e os projetos de felicidade em questão; nesses lugares é que buscamos ecoar vozes que apontam para a complexidade da vida, como nos diz Edgar Morin. Essas sonoridades, ainda um tanto dispersas e fragmentadas, representam uma materialidade resistente ao trançar sua delicadeza ou, conforme assinala Clifford Geertz, tal como fios de uma teia, de uma rede de significados que todos nós tecemos e na qual todos nós estamos irremediavelmente prisioneiros, ao mesmo tempo que sonhamos com ela e construímos a materialidade e a utopia da liberdade e da realização humana.

   

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