Eliza Bachega Casadei (Org.) – A Extensão Universitária Em Comunicação Para A Formação Da Cidadania

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A inserção da Extensão Universitária como um dos pilares de sustentação da atividade acadêmica no Brasil resultou de um reposicionamento epistemológico que, ao questionar os métodos tradicionais da produção da ciência e a função social da universidade, valorizou “os contextos de práticas como ponto de partida do conhecimento científico”.
Tal disposição estava embasada em uma ideia que “derrubava a tese da neutralidade da ciência e assumia a relação entre os saberes de origens diversas como legítimos e necessários. Reconhecia a dimensão política e cultural do conhecimento e de suas formas de produção”.
Trata-se de uma resposta dada tipicamente por países latino-americanos, na tentativa de responder a demandas de sociedades marcadas por fortes desigualdades sociais. Constitui uma diligência em que se exige que “a universidade, em especial a de natureza pública, tenha responsabilidade com o desenvolvimento social equilibrado, produzindo saberes para a melhoria de vida de toda a população”.
Ainda assim, em relação aos outros pilares presentes nas universidades brasileiras, a extensão continua a ocupar uma posição frágil de menor destaque, o que se reflete em menor financiamento de suas práticas e, consequentemente, em menor engajamento dos atores envolvidos em sua manutenção, já que ela teria menos prestígio em relação à pesquisa e ao ensino.
Além desses problemas fundamentais, é possível notar, ainda, que, “atingida pelas políticas globais das últimas décadas”, a extensão universitária “tende, em termos de prestígio, a ser identificada com a prestação de serviços, muitos dos quais realizados com o sentido da captação de recursos, alterando substancialmente sua missão original”.
A esses problemas somam-se outros que estão ligados às formas como a extensão universitária foi entendida e definida ao longo do tempo. Não podemos nos esquecer de que, dentre os problemas enfrentados pela extensão universitária, estão os relacionados “aos poderes de invenção de um discurso sobre o objeto que ele pretende descrever”, estes bem mais difíceis e orgânicos. Isso quer dizer que “todo campo de saber se constitui imaginando-se terminado, ‘vendo-se’ possuir inteiramente a suma do saber que ainda não possui e para o qual se constitui. Ele se constitui, portanto, votando-se a um ideal”.
O problema encontra-se no fato de que “ao fazer isso, arrisca-se também a votar seu objeto ao ideal em questão: sujeita o objeto a esse ideal, imaginando-o, vendo-o ou prevendo-o – em suma, dando-lhe forma e inventando-o por antecipação”.
Em sua ainda breve trajetória nas universidades brasileiras, a extensão universitária teve seu objeto marcado de distintas formas, o que resultou em diferentes metas traçadas, bem como diferentes ideais pregados e discursos norteadores da prática.
A extensão universitária, portanto, está sujeita a disputas simbólicas de várias ordens que afetam as atividades e projetos da área colocando-os em um terreno simbólico em constante disputa. Tais conflitos não se dão apenas no plano teórico, mas influenciam mesmo na disputa por prestígio e verbas dentro da estrutura universitária.

   

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