Tiago Dos Santos Rodrigues – A Alteridade Do Real Ou Da In-Condição Proletária

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A Alteridade Do Real Ou Da In-Condição Proletária procura apresentar a correlação entre significância e justiça que há no pensamento do filósofo lituano-francês Emmanuel Levinas, ou seja, como que o nascimento do sentido é chamado à realização da justiça com os próximos e distantes. Portanto, nos importará muitíssimo não nos iludirmos com a moral para tampouco nos iludirmos com o real.
Que o ético signifique para além das boas intenções e dos tratados bem firmados, que a subjetividade encontre um “fundamento” outro que a própria certeza de si, que o saber seja mais do que um conteúdo proposicional ou uma atividade imanente à consciência, que a relação com o corpo próprio não se descreva em termos de propriedade, que o materialismo possa ser reivindicado como a mais alta espiritualidade, que o humanismo possa ser denunciado quando pouco humanista se apresenta, que a liberdade não seja a “essência” mesma do humano; mas que o mais de responsabilidade imputada do outro a mim signifique uma sujeição distinta de uma escravidão, um mandato para lá ou aquém da minha vontade, que o esquecimento do outro nos escandalize mais do que um esquecimento do ser – nada disso será de pouca monta a quem, com a criação inteira, chora em dores de parto e em suas entranhas, em sua própria carne, gesta e deseja o que é mais alto e melhor que o ser: o Bem.

Um velho princípio ético medieval, do qual tomamos conhecimento por primeira vez através da tradição franciscana, diz que: a necessidade desconhece lei – que a corporeidade sofredora do pobre justifica que se contrarie a ordem estatuída que mantém o pobre em suas aflições.
Uma lei antes de toda lei, não inscrita em tábuas de pedra ou nas páginas das constituições. Lei inscrita, pelo contrário, na carne e no sangue de todo o vivente, lei lida e sentida à flor da pele. Uma lei não morta e fria, mas viva e sensível – e que sensibiliza.
A Alteridade Do Real Ou Da In-Condição Proletária procura, nesse sentido, ser sensível tanto para com a filosofia levinasiana quanto com a realidade que nos assedia, sendo, pois, um protesto. Protesto contra as filosofias que, hoje tão em voga, têm por premissa poder reduzir a um só discurso todo e qualquer discurso, a colocar sob a forma lógico matemática toda e qualquer ideia que venha a valer a pena ser pensada.

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