Rafael Cardoso – Design Para Um Mundo Complexo

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Qual o papel do design no mundo atual, caracterizado ao mesmo tempo pelo excesso de estímulos e pela imaterialidade? Design Para Um Mundo Complexo propõe atualizar a discussão realizada em Design para o mundo real, de Victor Papanek, publicado em 1971.
O designer norte-americano alertava ali para a crescente perda de sentido do design de matriz modernista, perversamente estetizado diante de um mundo assolado pela miséria, violência e degradação, e conclamava os designers a saírem de seu universo autorreferente para projetarem soluções para a realidade.
Mais de quatro décadas depois, somam-se a esse mundo real descrito por Papanek uma preocupante aceleração da vida, falta de tempo e excesso de informação, sem que isso colabore necessariamente para produzir mais e melhor conhecimento.
A leitura do livro, em si vista por Cardoso como um ato de resistência a essa aceleração, expõe os dilemas do design nesse contexto de maneira clara e acessível, tanto para o leigo quanto para o estudioso.
Em Design Para Um Mundo Complexo, Rafael Cardoso não pretende responder, resolver, mistificar ou esterilizar perguntas ou provocações cotidianas; visa, sim, desvelar partes da complexidade por vezes despercebida, porém intrínseca ao dia-a-dia.
Suas palavras planejam, primeiramente, atualizar o leitor, seja ele designer ou não, acerca da riqueza que o circunda.
Design Para Um Mundo Complexo mostra-se um esforço amplo em direção à compreensão das naturezas da transformação da matéria-prima; para tanto, levam-se em conta fatores condicionantes dos processos de significação na contemporaneidade. Em meio a tramas de singularidades, o design pode ser vetor multipolar, sensível e flexível para a solução de problemas.
Conforme Flusser, o design é obstáculo para a remoção de obstáculos. A inciativa projetual presume uma abrangência participativa, constitui-se em uma esfera que exige postura altruísta dos participantes. Nada se constrói sem colaboração. A atuação do design – atividade mobilizadora porque pensamento e expressão projetual –, como não poderia deixar de ser, comunga, polui-se convenientemente, com história, moda, arquitetura, linguística, poesia ou qualquer tipo de arte, intervenção e manifestação expressiva.

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