Vera Gertel – Um Gosto Amargo De Bala

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Filha de pais comunistas, Vera Gertel nasceu na clandestinidade. Em pleno Estado Novo, veio ao mundo em São Paulo, mas foi registrada no Rio de Janeiro, dois anos depois. Talvez por isso, e também por ter vivido em ambas as cidades, tenha dificuldade em responder se é carioca ou paulista. Você é judia? Outra pergunta que a faz hesitar.
Sua mãe não era, apesar de se chamar Raquel. Mas o pai, como se infere do sobrenome, descendia de judeus asquenazes estabelecidos no bairro paulistano do Bom Retiro, emigrados do que no início do século 20 ainda se conhecia como Império Austro-Húngaro.
Seu próprio nome, na infância, não era o que passou a constar nos documentos e sim Anéli (Nelinha, para os íntimos). O pai, procurado pela polícia, teve entretanto receio de dizer no cartório a palavra que, na verdade, correspondia à sigla da Aliança Nacional Libertadora, ANL ou Anéli, como muitos chamavam a frente de oposição a Getúlio Vargas nos anos 1930.
O que significa a autobiografia de Vera Gertel, Um Gosto Amargo de Bala, pode ser avaliado pelo que dizem em textos de apresentação da obra três ilustres jornalistas e escritores da atualidade.
“Neste livro, além do testemunho sobre os anos cinzentos e a luta política, Vera Gertel faz um emocionado e emocionante relato de perdas e alegrias de uma vida decididamente longe do comum”, afirma Luis Fernando Verissimo.
“Vera Gertel, com sua vivência de jornalista e atriz de sucesso, consegue editar com amplo conhecimento de causa o cenário, o clima, as lideranças (algumas heroicas) que atuavam no teatro, no jornalismo e na resistência contra a ditadura”, acrescenta Carlos Heitor Cony.
“O índice de nomes deste livro é um who is who do Brasil dos anos 40 aos 70. Mas seu protagonista é uma mulher que nunca deixou de seguir em frente – mesmo agora, quando olha para trás para contar a história”, arremata Ruy Castro.
Ao longo dos 42 capítulos curtos em formato de flash, a autora contextualiza os tempos em que viveu evocando episódios históricos – incluindo o período da redemocratização no Brasil em 1945 até o governo João Goulart e sua derrubada pelos militares, a Guerra Fria e a Guerra do Vietnã, a Revolução Cubana, a invasão da Tchecoslováquia pela então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a revolta de maio de 1968, em Paris.
Tudo isso não passa, entretanto, de pano de fundo para destacar fatos presenciados fisicamente e que são narrados com detalhes saborosos.

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