Blythe Alice Raviola & Maria Antónia Lopes (Coord.) – Portugal E O Piemonte

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Este livro fala-nos de um relacionamento de longuíssima duração: o que se estabeleceu entre Portugal – uma das principais monarquias nacionais do início da idade moderna – e o ducado de Sabóia, pequeno estado transalpino em busca de aprovação internacional.
A abordagem é feita através de um olhar simultaneamente minucioso, porque dirigido a casos específicos, e abrangente, estendendo-se do século XII ao século XX. Graças às contribuições de autores de diversas proveniências e de âmbitos disciplinares distintos, emerge um quadro institucional e dinástico policromo, condicionado pelas vicissitudes da política europeia.
São na maioria mulheres, princesas portuguesas ou piemontesas, a servir de peões diplomáticos e familiares na trama das relações seculares entre Portugal e Piemonte: Mafalda de Moriana e Sabóia, primeira rainha de Portugal; Beatriz de Avis, filha de D. Manuel I, que se tornou duquesa de Sabóia; Margarida de Sabóia, a duquesa de Mântua que governou Portugal em nome de Filipe III; Maria Isabel Francisca de Sabóia Nemours, rainha de dois reis no trono português restaurado; e, finalmente, Maria Pia de Sabóia, penúltima rainha de Portugal, exilada com a proclamação da República.
Mas são também retratos de duas dinastias, como no caso do projectado casamento entre a infanta Isabel Luísa de Bragança e o futuro Vítor Amadeu II de Sabóia, a consolidar uma aliança distante no espaço, mas fecunda no tempo. Não por acaso, Portugal foi o destino de exílio para dois soberanos de Sabóia, Carlos Alberto, rei da Sardenha, e Humberto II, rei de Itália, o qual, após a proclamação da República italiana em 1946, viveu por longo tempo em Cascais.
A gênese deste livro deve muito às novas tecnologias e, ao mesmo tempo, ao espírito da République des Lettres da Idade Moderna. A ideia, pensada em âmbito piemontês e discutida em primeira instância com o falecido Robert Oresko, veio a ser, afinal, fruto de uma calorosa correspondência eletrônica entre as coordenadoras.
Inicialmente um tímido e formal contacto de pedido de arbitragem para a Revista de História da Sociedade e da Cultura, depois um progressivo interesse pelas pesquisas recíprocas até que surgiu o nome de Maria Pia de Sabóia, tornando-se no esteio de um projeto ambicioso.
O de trabalhar a várias vozes a história das relações longas, contínuas, intensas e não ocasionais entre as dinastias reais portuguesas e a Casa de Sabóia; uma história com duração multissecular, repleta de episódios singulares e de densas relações diplomáticas, que, no entanto, têm suscitado pouco interesse historiográfico.

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